Cordel do Amor sem Fim: Um espetáculo para amar

 

O espetáculo foi apresentado em duas sessões, nos dias 14 e 15, e marca os 20 anos da Cia Criart Teatral |FOTOS: Katarine Almeida

História envolvente, ótimas atuações e uma trilha musical cativante. Estes são alguns dos elementos presentes em “Cordel do Amor Sem Fim”, espetáculo apresentado pela companhia Criart Teatral, em duas noites (14 e 15 de outubro), na sala Teatro Escola do Teatro Municipal de Boa Vista. O evento marcou, de forma magistral, os 20 anos de contribuição do grupo à cultura roraimense.

Três irmãs que vivem em uma cidade ribeirinha discutem amor, liberdade e esperança em meio aos relacionamentos nos quais se envolvem. A mais nova, Tereza (Karen Barroso) é movida pela busca do amor perfeito, ao aguardar o retorno de Antônio (Felipe Medeiros, que também narra a história).

A irmã mais velha, Madalena (Kaline Barroso) traz em si o ceticismo quanto a amor e felicidade, além do medo de socializar e desbravar a vida. Já Carminha, sendo a irmã do meio, representa o equilíbrio das três, mesmo que seja necessário passar por cima de seus próprios sentimentos.

A história ainda nos apresenta José (Anderson de Souza), que tem interesse amoroso – e possessivo – por Tereza, ainda que tenha que levar às últimas consequências tal sentimento. O desenrolar da trajetória de cada um dos personagens segue de forma surpreendente, capturando a mente e as emoções da plateia.

Importante citar que o espetáculo é ainda enriquecido pela ótima trilha musical executada pela virtuosíssima Anne Louise Sanfoneira e pelo exímio Silvandro Barros, com interpretações de canções que vão desde George Farias a Dorival Caymmi, além de cantigas populares.

Para Kaline, que fundou a companhia e desde então a dirige com tamanha genialidade, comprometimento e afeto, o “Cordel” é um espetáculo emblemático que não apenas celebra os 20 anos do Criart, como também marca o retorno do grupo aos palcos, além de uma nova gama de desafios que sobrevirão.  

“O sentimento nesse momento é de gratidão. Por várias coisas. Por todas as pessoas que perdemos e nós estarmos aqui vivos e podemos voltar a fazer o que a gente tanto ama, que é a nossa arte. Então, estou muito grata neste momento por ter chegado a esses 20 anos com tanta luta e com tanta resistência. O norte é forte, Roraima é forte e por isso nós não vamos desistir”, disse.





O espetáculo conta com parcerias de outras companhias que cederam seus artistas para abrilhantar o evento. São eles: Elivelton Magalhães (Cia Desvaneio), Anderson Nascimento (Cia Arteatro), Baronso Lucena (Cia do Pé Torto), Felipe Medeiros (Cia do Lavrado) e Luiza Danielle (Cia Meio Fiu).


“Me sinto realizado como artista”

Edjalma Freitas: "Estou extremamente feliz com o resultado do espetáculo"


O espetáculo conta com a brilhante direção de Edjalma Freitas, pernambucano que já se considera roraimense, pois este é o segundo espetáculo que dirige em Boa Vista. Para ele, voltar aos palcos após mais de um ano e sete meses é gratificante, principalmente em meio a artistas tão talentosos.

“É uma felicidade que você não consegue descrever. Estou extremamente feliz com o resultado. A peça nasceu feliz e nasceu bem, porque encontrei aqui atrizes dispostas, atores e músicos com muita vontade e sede de levar ao palco poesia e o resultado foi exatamente o que vimos. Me sinto muito realizado como diretor e como artista”.

Além disso, para Edjalma, a cidade é encantadora e um grande celeiro de artistas dos mais diversos segmentos. “Tenho um carinho muito grande por Boa Vista. Já é o segundo trabalho que dirijo aqui, mas já é a sexta vez que venho à cidade. Então posso dizer que aqui é minha casa também e voltar à cena em Boa Vista, com o Criart, que é um grupo o qual admiro demais, representa muita felicidade. Evoé! Que essa peça continue e ganhe mais corpo e siga por esse Brasil, porque é isso que todos merecem”.

Edjalma e o elenco do espetáculo: "Encontrei aqui atrizes dispostas, atores e músicos com muita vontade e sede de levar ao palco poesia" 


O Criart – A companhia foi fundada por Kaline Barroso em agosto de 2001, tendo sua estréia no dia 16 de outubro de 2001 no projeto de dramaturgia “Leituras em cena”, do SESC. Desde então, o grupo segue em atividade com diversos espetáculos por todo o Brasil, além de esquetes teatrais para empresas, comerciais para televisão, espetáculos infantis e adultos com recorde de público e de crítica.

Kaline Barro (ao centro): "estou muito grata neste momento por ter chegado a esses 20 anos com tanta luta e com tanta resistência"

Para Kaline, o trabalho não vai parar tão cedo. E agora, novos desafios virão, principalmente relacionados ao “Cordel”, obra mais recente do grupo. “Queremos escrever o espetáculo no projeto de incentivo à cultura, que é poder amadurecer o espetáculo. Ele precisa entrar em cartaz e nós queremos fazer temporadas de apresentações com ele”.


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