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Alícia e a obra "O grito de socorro", que faz parte da 1ª Exposição de Lambe-Lambe |FOTO: Willamys Barros |
A jovem artista plástica roraimense Alícia Bianca Fernandes Silva está participando do Mural Coletivo com artistas da região Norte da 1ª Exposição de Lambe-Lambe em Parintins (AM), no Amazonas, com a obra "O grito de socorro". A abertura ocorreu no último sábado (19) e segue até 19 de agosto, no mercado municipal Leopoldo Neves, na cidade amazonense.
A exposição faz parte do projeto "Norte pelo Norte", iniciativa da artista Dayane Cruz em parceria com estúdio Buriti, que visa promover a cultura e a arte da região Norte do Brasil, com foco na produção independente e na identidade local. A iniciativa foi contemplada pelo edital de fomento às ações culturais em artes visuais na Lei Aldir Blanc.
A obra "O Grito de Socorro", segundo Alícia, é uma representação poderosa da resistência e dor da mulher indígena diante das violências sofridas em seus territórios. Com os punhos erguidos, a figura feminina denuncia os abusos sexuais contra mulheres e crianças indígenas, além da destruição ambiental causada por invasores, como o desmatamento e a poluição dos rios.
“Em seus olhos, o clamor por ajuda (SOS) se revela em meio às chamas da destruição. No peito, a floresta devastada deixa marcas profundas e irreversíveis. O grito da mulher ecoa como um chamado urgente por ações de proteção e respeito à vida indígena e à natureza”, diz a descrição da obra.
Para Alícia, que também é imortal da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA), integrar a exposição representa uma conquista não apenas para sua carreira enquanto artista, como também para o Estado de Roraima. Para ela, este momento que ela vive é de grande realização e muita responsabilidade.
“São marcos que me enchem de orgulho e me incentivam a seguir em frente com meus objetivos. Ver meu trabalho alcançando reconhecimento e prestígio, faz valer a pena toda minha trajetória artística, que lapidei desde criança. Cada prêmio e exposição me alegra para continuar produzindo e influenciando pessoas por meio da arte”.
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"O Grito de Socorro" é uma representação da dor e lutas da mulher indígena |
A artista — Alícia Bianca iniciou na arte aos 12 anos. Autodidata, percorre por diferentes estilos e técnicas. Todas as suas artes são feitas à mão livre. Possui um currículo com vastas e 17 diversificadas premiações, apesar da pouca idade, tendo recebidos prêmios em concursos de nível regional, nacional (São Paulo/SP e Rio de Janeiro) e internacional (Porto/Portugal, Viseu/Portugal e Torino/Itália).
Em fevereiro deste ano, a Alícia inaugurou a sua 1ª exposição de arte com o tema: “Identidade e Cultura: Roraima e suas Singularidades”, na galeria Franco Melchiorri no Sesc-RR Mecejana. A mostra foi elogiada pelos artistas, autoridades e público em geral, o que levou a ser prorrogada por mais uma semana. Ela também é acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Em abril, aos 19 anos, a artista plástica tornou-se a mais jovem roraimense a ocupar uma cadeira na Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA). Sediada no Amazonas, a instituição cultural tem o objetivo de reafirmar e reforçar o papel da literatura, da arte e da cultura amazônica e brasileira.
“Fazer parte da Academia de Literatura Arte e Cultura da Amazônia é uma grata honra, na qual tenho a responsabilidade de representar a arte de Roraima e da Amazônia, contribuindo com sua valorização e difusão. É também um privilégio contribuir para o cenário artístico local e espero que minha trajetória inspire outras pessoas, principalmente os jovens”, ressaltou.
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Em abril deste ano, Alícia assumiu uma cadeira na Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA) |FOTO: Willamys Barros |
Recentemente, Alícia foi contemplada com a premiação por trajetória artística a profissionais ligados às cadeias produtivas da cultura, pela Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria Estadual de Cultura e Turismo (Secult) e Governo Federal.
“Isso foi a confirmação de que os anos de dedicação, experimentação e paixão pela arte valeram a pena. Sinto-me feliz e motivada por ver meu percurso profissional valorizado, especialmente por uma lei tão importante para a cultura brasileira”, finalizou.
- Para saber mais sobre a artista, siga os perfis no Instagram: @aliciabiancarr e @fabricadedesenhos_rr.
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