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| Composta por 53 texto, a obra é a nona de sua carreira como autor de prosa e poesia |
Nesta quinta-feira (28), o escritor roraimense Edgar Borges lança o novo livro de poemas, intitulado Sonhanças, com sessão de autógrafos, ocorrerá na abertura da Semana Literária 2026 do Sesc RR, às 20h, no Teatro Jaber Xaud.
A obra é a nona da carreira do autor na prosa e na poesia. Composta por 53 textos, foi selecionada para publicação pelo júri do concurso literário Primeiras Linhas, promovido pelo Sesc Roraima no início do ano.
Sonhanças reúne poemas escritos ao longo dos últimos quatro anos por Edgar. O prefácio e a organização são do professor de Jornalismo Timóteo Camargo, e a capa é assinada pelo artista visual Diego Paulino.
A temática dos poemas de Sonhanças é variada. “Escrevo sempre evocando as minhas vivências urbanas e rurais nas diversas Amazônias do Brasil e da Venezuela. Como escritor, tenho sempre o desejo de transformar em palavras as visões da nossa região e de sua gente, além de minhas fantasias sobre o mundo”, afirma o autor.
Também serão apresentados ao público, na quinta-feira, o livro Sorriso de Cristal, de Aldenor Pimentel, e o minidocumentário A Travessia do Ser — sobre a vida e a obra de Devair Fiorotti. O ingresso para a atividade será 1 kg de alimento não perecível.
Responsável por organizar os poemas de Sonhanças — trabalho que já realizou em outras obras de Edgar —, Timóteo Camargo explica que “talvez por ter crescido em beiras de rio no interior de Roraima e por amar a pesca, percebi que os poemas pareciam vir em ondas, ou melhor, em banzeiros amazônicos, alternando ritmos e intensidades. Assim, em vez da intercalação costumeira, deixei que as poesias seguissem esse curso, para impulsionar a leitura com uma energia própria dos rios”.
Os poemas do livro Sonhanças foram organizados em ondas. A primeira é suave, quase um convite: traz poemas que falam da Amazônia, do cotidiano, da paisagem, da vida em cores e sons, abrindo o livro com um horizonte sereno, que acolhe sem pressa. A segunda leva o leitor para o corpo e o desejo. Na terceira, a correnteza se torna mais introspectiva. A quarta mergulha na densidade do silêncio, do medo e do cansaço. A quinta fecha o ciclo com poemas que abordam desamor, ambivalência e espera, mas preservam a sensação de continuidade, de que a vida e os sonhos seguem, ainda que em outro ritmo.
SOBRE EDGAR BORGES
Escritor e produtor cultural com ancestralidade Wapichana, Edgar Borges nasceu e viveu até a adolescência na Venezuela. Mora em Roraima desde os anos 1990. Coleciona muitas coisas, é corredor de longa distância e pai de Lai e Edgarzinho, a quem a obra é dedicada.
Publicou os livros de contos, crônicas e poemas Roraima Blues (2008), Sem Grandes Delongas (2011), Incertezas no Meio do Mundo (2021), Flores do Ano Passado (2022), Há Sol em Nossos Olhos (2024), Invernos e Cafés (2025), Bilhetes de Amores Perdidos (2025) e Manhãs e Ventanias (2026).
Atua desde 2009 no Coletivo Caimbé, articulando ações de literatura e artes integradas em Roraima e em outros estados. É graduado em Jornalismo e Sociologia, mestre em Letras e doutorando em Educação na Amazônia. Saiba mais sobre as outras obras acessando https://linktr.ee/borgesedgar ou siga o perfil no Instagram: @edgar_borges_.
CONFIRA DOIS POEMAS DE “SONHANÇAS”
Autografismo
Sou a linha que corta o mundo
A árvore caída dos frutos
O sol pintando o lavrado
Sou o caju colhido nas ruas
O pássaro migrante cantando na praça
O tronco queimado do caimbé renascido
Curupira enfrentando correntes e dragas
Sou o vento parado de outubro
A estranheza do frio nas serras
Sonhos atravessando fronteiras
Palavras na mata cantando futuros
Sou a praia abraçando tracajás
Corredeira assustando barqueiros
A busca da sombra ao meio-dia
Murmúrios do buritizal protegendo amores
Sou garça branca relembrando ventanias
A nuvem pintada com urucum
O céu baixo no meio do inverno
Curumim brincando de ser onça n’água
Sou quem mora em outras fronteiras
Sou a mata queimando em fevereiro
Sou o pajé caindo do topo da cachoeira
Sou alma e antigos temporais
Autografismo
Sou a linha que corta o mundo
A árvore caída dos frutos
O sol pintando o lavrado
Sou o caju colhido nas ruas
O pássaro migrante cantando na praça
O tronco queimado do caimbé renascido
Curupira enfrentando correntes e dragas
Sou o vento parado de outubro
A estranheza do frio nas serras
Sonhos atravessando fronteiras
Palavras na mata cantando futuros
Sou a praia abraçando tracajás
Corredeira assustando barqueiros
A busca da sombra ao meio-dia
Murmúrios do buritizal protegendo amores
Sou garça branca relembrando ventanias
A nuvem pintada com urucum
O céu baixo no meio do inverno
Curumim brincando de ser onça n’água
Sou quem mora em outras fronteiras
Sou a mata queimando em fevereiro
Sou o pajé caindo do topo da cachoeira
Sou alma e antigos temporais
Sonhanças
Falamos de sonhos
Como se ainda se pudesse
E no final rimos
Como se ainda conseguíssemos
Pensamos o futuro
Como se ainda houvesse
E depois esperançamos
Como se ainda fôssemos
Quando a noite era meio
E o sol longe estava
Éramos possibilidades acabadas
Miragens sumindo aos poucos
Ainda assim
Como as chuvas
Insistíamos em regar sonhanças
Falamos de sonhos
Como se ainda se pudesse
E no final rimos
Como se ainda conseguíssemos
Pensamos o futuro
Como se ainda houvesse
E depois esperançamos
Como se ainda fôssemos
Quando a noite era meio
E o sol longe estava
Éramos possibilidades acabadas
Miragens sumindo aos poucos
Ainda assim
Como as chuvas
Insistíamos em regar sonhanças
Colaboração: Edgar Borges

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