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| A iniciativa teve como objetivo mobilizar artistas e coletivos de todo o Brasil para refletir, por meio da arte, sobre sustentabilidade, povos da Amazônia |FOTO: Adam Santos |
Mais uma vez representando Roraima, a artista plástica e artesã Alícia Bianca Fernandes Silva, 19 anos, é a única do Estado selecionada na categoria individual no Edital de Chamamento Nacional “Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós”, lançado por ARTIGO 19 em novembro de 2025.
A iniciativa teve como objetivo mobilizar artistas e coletivos de todo o Brasil para refletir, por meio da arte, sobre sustentabilidade, povos da Amazônia, biodiversidade e desafios climáticos, em diálogo com os impactos da COP 30, que será sediada em Belém do Pará. Foram selecionados 19 trabalhos nas linguagens de ilustração, charge, cartum e fotografia.
“Vivemos em um estado maravilhoso, mas geograficamente isolado dos grandes eixos culturais. Ser uma das premiadas em um concurso nacional que valoriza a Amazônia é a prova de que a nossa arte não tem fronteiras. É um grito de resistência e de existência. Ser selecionada é dizer ao Brasil que Roraima pulsa, cria e tem uma estética própria e potente. Fico lisonjeada por mais essa conquista”.
Alícia foi selecionada por sua arte “A Ferida de Kopenawa”, um manifesto visual que personifica o sofrimento e a resistência da Amazônia por meio da figura de Davi Kopenawa Yanomami, o Xamã, líder e guardião da floresta.
O coração em chamas, no centro do peito, simboliza a ferida profunda causada pelo garimpo ilegal, pelos incêndios e pela invasão do território Yanomami. Não é apenas uma ferida na terra, mas um dano direto à alma e à essência do povo.
A lágrima e a expressão de dor de Kopenawa, contrastando com a força do urucum (a pintura de luta e proteção) e o maracá/lança (instrumentos de cura e defesa), traduzem a urgência da situação.
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| "A Ferida de Kopenawa", arte de Alícia Bianca, selecionada pelo edital “Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós” |
O coração ferido simboliza o impacto do garimpo ilegal (especialmente na Terra Indígena Yanomami), do desmatamento e das queimadas, que são as maiores ameaças à Amazônia. A obra coloca o sofrimento indígena no centro do debate climático.
Ao ligar a saúde do corpo do xamã à saúde da Terra, a obra reforça a visão indígena da interconexão entre natureza e humanidade.
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| Alícia Bianca: "Ser uma das premiadas em um concurso nacional que valoriza a Amazônia é a prova de que a nossa arte não tem fronteiras" |FOTO: Adam Santos |
Quem é Alícia Bianca
Artista plástica autodidata, nascida em Boa Vista, Alícia iniciou na arte aos 12 anos e, atualmente, é acadêmica de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Roraima, além de atuar como artesã e modelo.
No decorrer de sua trajetória, desenvolveu diferentes técnicas e estilos, transformando a arte contemporânea em um processo criativo que conecta identidade cultural, memória afetiva e paisagem amazônica. Conquistou 19 premiações em concursos de desenho ao nível regional, nacional (São Paulo e Rio de Janeiro) e internacional (Portugal e Itália).
Suas obras já ilustraram o Estatuto da Criança e do Adolescente de Roraima (em português e espanhol), além de livros de ficção e materiais editoriais.
Em abril de 2025, tornou-se a mais jovem roraimense imortal da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA), ao assumir a cadeira n.º 329.
Alícia é a mais jovem roraimense a ser agraciada com a comenda honorífica Medalha Pena de Ouro na categoria Criação Cultural e Artística, concedida pela Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA). A premiação ocorreu em 27 de outubro de 2025, na cidade de Manaus-AM.
Com informações de Alícia Bianca



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