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| Monumento deu origem ao que hoje é o Estado de Roraima. Atualmnente, encontra-se em ruínas |
No primeiro domingo de novembro, a comunidade portuguesa em Roraima celebrou a fundação do Forte São Joaquim do Rio Branco, monumento que deu origem ao que hoje é o Estado de Roraima. Em 2025, o monumento completou 250 anos e no último fim de semana ocorreram apresentações culturais e exposição sobre a história do lugar e da ocupação do território, com a presença de representantes do Exército Brasileiro, Governo do Estado, entre outras instituições parceiras.
Localizado na confluência dos rios Uraricoera e Tacutu, o forte (atualmente em ruínas) encontra-se na região compreendida pelo município do Bonfim. O acesso por terra passa por uma área particular, distante cerca de 40km da capital Boa Vista. A Comunidade Portuguesa Comunidade Forte São Joaquim e o Exército mantém a área, tombada como sítio arqueológico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2023.
A celebração de 250 anos do Forte contou com a presença da Banda do Exército, que interpretou os hinos nacionais de Portugal e do Brasil, além de alunos do coral da Colégio Estadual Militarizado Carlo Casadio, que cantaram um medley de “País Tropical” (Jorge Ben Jor) e “Meu Brasil Brasileiro” (Ary Barroso), além de “Makunaimando”, de Nêuber Uchoa e Zeca Preto.
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| Pórtico de entrada do sítio arqueológico, construído pelo Exército Brasileiro |FOTO: Fábio Cavalcante |
Em seguida, o professor-pesquisador José Henrique Ferreira Leite ministrou a palestra “Relato de um pesquisador diletante de arqueologia”. Ele integrou a equipe de pesquisa do arqueólogo Pedro Augusto Mentz Ribeiro (RS) no Forte São Joaquim em 1985, por meio do Projeto Arqueológico de Salvamento na Região de Boa Vista, cuja missão foi investigar a destruição intencional de sítios arqueológicos existentes na região.
Ferreira Leite apresentou um pouco sobre como foi o processo de pesquisa e análise do sítio arqueológico do forte, os instrumentos utilizados, além de explicar como foi a formação da edificação às margens do Tacutu, materiais que serviram de base para sua construção, entre outros elementos históricos.
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| Professor José Henrique Ferreira Leite apresentou um panorama histórico sobre o forte e sobre as missões de pesquisa e preservação do sítio arqueológico |FOTO: Fábio Cavalcante |
Para a presidente da associação portuguesa, Margareth Coimbra, há um grande esforço atual para a preservação do que restou do forte, dada a sua importância e relevância histórica não apenas para Roraima e para o Brasil, como também para Portugal.
“Aqui nesse local, os portugueses determinaram a construção desse forte exatamente para defender as nossas fronteiras, nesse extremo norte, dos espanhóis, dos holandeses e de outros países interessados na região. Então, graças aos portugueses, nós temos um Brasil continental do tamanho que é, e as nossas fronteiras amazônicas preservadas por conta desse trabalho”, explicou.
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| Margareth Coimbra, presidente da Associação Comunidade Forte São Joaquim: "graças aos portugueses, nós temos um Brasil continental do tamanho que é" |FOTO: Fábio Cavalcante |
Além disso, Margareth ressaltou que já existem projetos voltados à revitalização ou reconstrução do Forte São Joaquim em outro lugar. Para isso, a Comunidade Portuguesa está buscando apoio aos governos federal, estadual e municipal, e até com o poder legislativo e com Exército, para que esse plano saia do papel.
“Provavelmente, aqui no local de origem do forte, vai ser um pouco mais inviável para essa construção. Mas a réplica seria um paliativo, digamos, uma forma de preservar essa memória e talvez construí-la dentro de Boa Vista mesmo. Isso aí está tudo em estudo. Nós estamos buscando parcerias viabilizar essa iniciativa”, explicou.
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| Coral da Escola Carlos Casadio apresentou canções em homenagem ao Brasil e Portugal |FOTO: Fábio Cavalcante |
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| Comitiva da visita ao Forte São Joaquim, coordenado pela Comunidade Portuguesa e pelo Exército Brasileiro |FOTO: Fábio Cavalcante |
Algumas imagens das ruínas do forte:
O Forte
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| Monumento foi erguido em 1775, na confluência dos rios Taucutu e Uraricoera, a fim de proteger a região das invasões espanholas e holandesas |
A construção do Forte São Joaquim iniciou em 1755, com o objetivo de consolidar a presença portuguesa na região e proteger as fronteiras do império. A obra foi iniciada pelo capitão engenheiro Felippe Sturn, seguindo uma provisão régia de 1752 que visava a defesa e a ocupação do vale do rio Branco.
O forte foi construído utilizando uma combinação de pedra e barro, refletindo as técnicas de construção da época. Sua localização estratégica permitia não apenas a defesa contra invasões, mas também o controle das rotas comerciais e de exploração de recursos naturais na região. O lugar se tornou um marco importante na ocupação portuguesa, servindo como um ponto de apoio para as expedições que buscavam explorar e integrar o interior da Amazônia.
Além de sua função militar, o forte desempenhou um papel crucial na consolidação da fronteira entre o Brasil e as colônias vizinhas, especialmente em um período de intensas disputas territoriais. Historicamente, o forte foi um símbolo da luta pela soberania na região, enfrentando desafios como ataques de grupos indígenas e a concorrência de outras potências coloniais.
Com o passar do tempo, o forte passou a ser um centro de administração e controle, contribuindo para a formação da identidade regional. Porém, por volta dos anos 1900, o forte foi desativado e as suas ruínas foram demolidas, com parte de seus materiais sendo reaproveitados em outras construções, como as edificações na Fazenda São Marcos.
Em 2023, foi tombado como sítio arqueológico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo preservado em ação conjunta pela Comunidade Portuguesa e pelo Exército.
Há uma réplica do forte no comando do 6º Batalhão de Engenharia e Construção (6º BEC). No local também se encontram a maior parte dos canhões originais do monumento. Outros se encontram na Praça da Bandeira e no 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS).
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| Maquete do Forte São Joaquim no 6º BEC, que dá um vislumbre de como era a edificação |FOTO: Fábio Cavalcante |
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| No 6º BEC é possível conferir os canhões originais do Forte São Joaquim, devidamente preservados |FOTO: Fábio Cavalcante |
A Comunidade Portuguesa em Roraima — Como forma de fortalecer sua cultura e servir de apoio a outros portugueses que chegam ao Estado ou que precisam de apoio consular, foi fundada em 2018 a Associação Comunidade Portuguesa Forte São Joaquim. Atualmente, congrega cerca de 400 portugueses e descendentes, entre associados e não-associados.
A associação conta com um calendário anual de eventos, almoços festivos, jantares formais, solenidades cívico-militares (no caso do Dia do Forte São Joaquim), com muita cultura, música e gastronomia portuguesas. A finalidade é promover a interação entre seus membros e também sua integração com a sociedade local.
“O papel da associação é basicamente expandir, preservar e difundir a cultura portuguesa aqui em Roraima em todo o país. E nós temos uma agenda de eventos voltadas a essa difusão. Recentemente, tivemos a nossa Feira Gastronômica que foi um grande sucesso, com participação de pessoas de todos os públicos e idades. E isso muito nos alegra, pois reforça os laços entre Brasil e Portugal”.
Entre os eventos estão:
- 5 de abril – Aniversário da Associação (que este ano completou 7 anos);
- 10 de junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas;
- Final de agosto – Feira Gastronômica Portuguesa;
- 5 de outubro – Dia da Implantação da República Portuguesa;
- 1º domingo de novembro – Dia do Forte São Joaquim;
- Em dezembro – Confraternização de Natal e Ano Novo.
- Para saber mais sobre a comunidade portuguesa, siga o perfil no Instagram: @comunidadeportuguesaroraima.

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