O escritor e produtor cultural roraimense Edgar Borges prepara o lançamento de sua mais nova incursão literária: "Manhãs e Ventanias". A obra é a oitava publicação do autor e marca sua estreia no gênero haicai, estilo de poesia de origem japonesa conhecido pela brevidade e simplicidade.
Composto por 67 poemas, o livro propõe um olhar sensível sobre o viver amazônico, abordando desde as peculiaridades do extremo norte do país até as relações interpessoais e o meio ambiente. O exemplar físico já está disponível na banca Playboy, no centro de Boa Vista, e a versão digital pode ser adquirida na plataforma Amazon: https://bit.ly/47qqWBw.
Circulação – A edição do livro foi viabilizada por meio de um projeto aprovado pela Fetec e a Prefeitura de Boa Vista, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Ministério da Cultura e Governo Federal. Trabalharam com o autor na finalização do volume a escritora Zanny Adairalba e o jornalista Timóteo Camargo, responsáveis pela preparação editorial; o ilustrador Ed Alicates, que assina as artes de capa e do miolo; e a designer Carolina Alcoforado, encarregada da programação visual da publicação.
O prefácio ficou a cargo do poeta paulistano Joakim Antônio, quem afirma que este livro é um transporte “às estações de sua vida, sem ordem cronológica de momentos, mas que estão presentes na vida de todos nós. Infância, adolescência e descobertas de adulto, sob a ótica do escritor que as vivenciou plenamente. Eu gosto de dizer que, livre das paredes, um poema pode traçar seu próprio caminho. Os haicais de Edgar Borges nos brindam com liberdade”.
O autor fez a doação de 100 exemplares da obra à Fetec para que a instituição os distribua gratuitamente em escolas, bibliotecas e outros equipamentos culturais.
“Acredito que o aumento dos índices de leitura e a valorização da literatura passam pela facilitação de seu acesso. Como o livro foi custeado por recursos públicos, nada mais justo que permitir que a comunidade possa desfrutá-lo nos espaços de leitura de Boa Vista”, afirma o escritor, que desde 2009 integra o Coletivo Caimbé, organização social informal atuante no fortalecimento da literatura roraimense.
Como parte do projeto haverá sessões de autógrafos e rodas de conversa em escolas e equipamentos culturais da zona oeste de Boa Vista. Nas escolas, os encontros serão na municipal Pingo de Gente e na estadual Maria Sônia de Brito Oliva, com as atividades voltadas apenas para os alunos. No dia 4 de abril o espaço Café com Paz (Rua Hercílio Cidade, 448 - 1 – Caimbé) receberá o autor das 9h às 11h30 para que este fale sobre o livro e seu processo criativo. A atividade é aberta à comunidade.
Além dos encontros físicos, Edgar Borges realizará no dia 8 de abril, às 19h30, uma live de divulgação em seu perfil no Instagram (https://www.instagram.com/edgar_borges) para leitura de poemas e interação com o público.
Segundo o autor, a escolha do formato poético haicais é um convite à contemplação. "A obra contribui para diversificar o panorama da literatura roraimense. O haicai convida o leitor a perceber a beleza das pequenas coisas e das paisagens de forma concisa e profunda, dialogando diretamente com os ritmos e afetos de nosso cotidiano amazônico", afirma.
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| Edgar Borges: "A obra contribui para diversificar o panorama da literatura roraimense" |FOTO: Lis Barreto |
Quem é o autor – Filho de migrantes brasileiros na Venezuela, tem ancestralidade Wapichana e mora em Roraima desde a adolescência. Publicou os livros de contos, crônicas e poemas Roraima Blues (2008), Sem Grandes Delongas (2011), Incertezas no meio do mundo (2021), Flores do Ano Passado (2022), Há sol em nossos olhos (2024), Invernos e Cafés (2025) e Bilhetes de Amores Perdidos (2025).
Desde 2009, atua no Coletivo Caimbé articulando ações de literatura e artes integradas em Roraima e outros estados. Seus livros e redes sociais podem ser conferidos neste link: https://linktr.ee/borgesedgar
Confira alguns dos haicais:
Chuvisco, nuvens cinzas
O calor se esconde
Risos saem a passear
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Nas manhãs de agosto
Flores de jambo no chão
O asfalto é púrpura poesia
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Você lê poemas em meu ouvido
Teu cheiro é igarapé
Vontade de me afogar
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Buraco no estômago
Arde a vida quando o preencho
Com café e a acidez dos dias
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Abriu o céu
A alma, os braços e a boca
Dia de sol com amor


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