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| Espetáculo será neste sábado (14), a partir das 20h, no Teatro Municipal de Boa Vista |
Após o grande sucesso de "Orfeo & Eurídice” na semana anterior, a Companhia de Ópera de Roraima apresenta mais um grande clássico: “Rita”, ópera em 1 ato de Gaetano Donizetti, que será destaque neste sábado (14), às 20h, no Teatro Municipal — sala Roraimeira.
A história nos apresenta Rita, que governa sua pequena estalagem com punho de ferro (literalmente) — e o marido, Beppe, é a principal vítima de sua tirania doméstica. Submisso, assustado e sempre à beira de uma fuga desesperada, ele acredita que só a morte pode libertá-lo desse casamento infernal.
Mas eis que o passado bate à porta: Gasparo, o primeiro marido de Rita, dado como morto, reaparece vivíssimo e tão autoritário quanto ela. Entre brigas , alianças improváveis e uma disputa hilária — onde quem ganha ficará com Rita, mas na verdade quem perde é o vencedor — a ópera se transforma numa comédia irresistível sobre casamento, poder e sobrevivência conjugal.
Para apresentar esse clássico, subirão ao palco os solistas Bianka Tarolla (soprano), vivendo Rita; Juan Alexis (tenor), como Beppe e Josenor Rocha (barítono), como Gasparo. A Orquestra da Companhia de Ópera de Roraima contará com a brilhante regência da maestrina Lilyane Lopes (diretora musical).
Esse grande espetáculo tem entrada gratuita. Basta retirar os ingressos uma hora antes do início da apresentação, na bilheteria do Teatro Municipal. A classificação é livre. A ópera conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura — Ministério da Cultura e Governo Federal, contrapartida da Secretaria Estadual de Cultura e Turismo (Secult) do Governo de Roraima. Apoio: Teatro Municipal de Boa Vista, FETEC, Prefeitura de Boa Vista e Curso de Música da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Para falar mais sobre esse grande espetáculo, conversamos com as principais “mentes” da Companhia de Ópera de Roraima, que nos trouxe mais detalhes sobre este e outros projetos em andamento. Confira:
PORTAL BOA VISTA — Qual a mensagem fundamental de “Rita” que pode impactar o público?
Maestrina Lilyane Lopes (regente e diretora musical) — Olha, a Ópera “Rita” é, antes de tudo, uma grande comédia. Ela trata as relações matrimoniais de forma totalmente satírica e exagerada. Tudo é levado ao absurdo: as discussões, os ciúmes, as reviravoltas. E é justamente esse exagero que faz o público rir tanto. A ópera não tenta retratar a realidade de forma séria. Ela brinca com essas situações e transforma tudo em um jogo teatral muito divertido. É aquele tipo de história em que cada minuto pode trazer uma nova confusão.
PORTALBV — Como foi pensada a produção da ópera, dada a natureza do tema abordado?
Nickole Pineda, diretora de cena e spalla da companhia - A gente pensou a montagem justamente para valorizar esse lado cômico. A ópera de Gaetano Donizetti já tem uma energia incrível. Muito viva, quase teatral por si só. Então, a encenação acompanha isso: muito movimento, muita expressão dos cantores, um timing de comédia bem marcado. A ideia é que o público não fique só ouvindo uma ópera, mas realmente se divirta acompanhando o que está acontecendo no palco.
PORTALBV — Então, vocês acreditam que o público será impactado não apenas pela música e interpretações, mas também por outros elementos, como a cenografia, por exemplo?
Christopher Pineda, cenógrafo da companhia — Em uma comédia como a Ópera “Rita”, o espaço cênico ajuda muito a contar a história. A cenografia foi pensada para permitir aquelas entradas e saídas rápidas, surpresas, encontros inesperados… coisas que fazem parte da graça da trama. Então, o cenário também participa dessa brincadeira teatral.
PORTALBV — Na última semana, a companhia apresentou “Orfeo & Euridice”, outro clássico da ópera mundial. Qual foi a avaliação de vocês sobre o espetáculo? Superou as expectativas?
Juan Alexis (tenor e presidente da companhia) — Superou e muito. A apresentação de “Orfeo & Euridice” foi emocionante para todos nós. Tivemos novamente a sala completamente lotada e um público extremamente envolvido com a história e com a música. Era possível literalmente ouvir a reação da plateia: os suspiros, as expressões de medo, de frustração, de amor… o público viveu cada momento da ópera junto com os personagens. Para a companhia, foi uma confirmação muito bonita de que esse trabalho está criando raízes e que existe, sim, um público apaixonado por ópera aqui em Roraima.
Falando nisso, o que a companhia já está preparando para esse ano? Teremos II edição do Festival de Ópera?
Nickole Pineda - Nós já estamos trabalhando em várias coisas muito especiais. Entre os próximos projetos está “La serva padrona”, uma das óperas cômicas mais famosas do repertório. E também estamos preparando algo muito especial: “A Caipora”, que será a primeira ópera composta em Roraima. Ela é inspirada no nosso folclore e traz a figura da Caipora dentro de uma linguagem cômica. Além disso, a obra nasce com uma proposta muito curiosa e original: é uma ópera pensada para ser interpretada por fantoches. Ou seja, estamos falando praticamente da inauguração de um novo gênero de ópera: ópera composta originalmente para teatro de fantoches. É um projeto muito criativo e que dialoga diretamente com a nossa cultura e que será pensado para todos! E claro, seguimos trabalhando para que o Festival de Ópera continue crescendo e tenha novas edições, porque o entusiasmo do público mostra que esse caminho vale muito a pena.
PORTALBV — Uma última questão. Recentemente, a Companhia de Ópera de Roraima foi destaque em uma publicação do Ministério da Cultura sobre a produção operística em todos o Brasil. Foi meio que uma resposta à uma fala polêmica do ator Timothée Chalamet, que disse que ninguém se importa com ópera e ballet. Primeiramente, como foi a recepção de vocês quanto a essa publicação do Governo Federal? E o que pode ser dito quanto essa visão do referido autor?
Maestrina Lilyane Lopes — Para nós foi uma grande alegria e também um reconhecimento muito significativo. Ver a Companhia de Ópera de Roraima citada em uma publicação do Ministério da Cultura mostra que o trabalho que está sendo feito aqui está sendo visto em todo o país. Isso reforça algo em que acreditamos muito: o Norte não é uma periferia cultural. Pelo contrário, é também um centro poderoso de produção artística. Hoje estamos criando, produzindo e apresentando ópera em Roraima com salas cheias e um público cada vez mais apaixonado pelo gênero.
Quanto à crítica feita pelo Timothée Chalamet, acreditamos que a melhor resposta vem da realidade do palco e da plateia. A ópera continua viva, emocionante e capaz de reunir pessoas. E ver o nosso trabalho citado nesse contexto nacional mostra que a arte está acontecendo em muitos lugares do Brasil, inclusive com muita força aqui no Norte e em Roraima!
- Para saber mais sobre este e outros projetos da companhia, basta seguir o perfil no Instagram @roraimaopera.

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