"ARTIGO 19"| Alícia Bianca integra exposição online sobre a Amazônia

Mostra reúne 18 obras de artistas de 12 estados brasileiros e utiliza diferentes linguagens artísticas para debater sustentabilidade, direitos dos povos originários, biodiversidade e os desafios climáticos |FOTO: Willamys Barros


A artista plástica e artesã Alícia Bianca, de 20 anos, de Roraima, participa da exposição coletiva online “Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”, organizada pela ARTIGO 19 Brasil e América do Sul. A mostra reúne 18 obras de artistas de 12 estados brasileiros e utiliza diferentes linguagens artísticas para debater sustentabilidade, direitos dos povos da Amazônia, biodiversidade e os desafios climáticos após a COP 30, ocorrida em Belém (PA) em 2025.

A obra “A Ferida de Kopenawa”, de Bianca, retrata o líder yanomami Davi Kopenawa com um coração em chamas no peito, simbolizando os impactos do garimpo ilegal, desmatamento e queimadas na Terra Indígena Yanomami. A peça combina elementos de dor, como lágrimas e expressão sofrida, com símbolos de resistência, como urucum e maracá, reforçando a interconexão entre a saúde dos povos indígenas e a saúde da floresta.

A exposição prioriza criadores da Região Norte e reúne artistas de Roraima, Rondônia, Amazonas, Pará, Acre, Maranhão, Ceará, Alagoas, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro. As obras transitam por fotografia documental, bordado, pintura, performance, arte digital e formas híbridas, convidando o público a ver a Amazônia como território vivo, habitado e defendido por suas comunidades.

“É uma imensa alegria participar da exposição coletiva ‘Arte, Amazônia e os seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!’. Fazer parte desta exposição é também reafirmar a arte como um espaço de memória, identidade e pertencimento”, afirma Alícia.

A artista completou: “Participar dessa mostra coletiva significa unir a minha voz à de tantos outros artistas que utilizam a arte para sensibilizar, provocar reflexão e fortalecer os olhares sobre a importância da Amazônia e dos seus povos. Acredito que a arte tem o poder de criar conexões profundas, e estar nesta exposição é também um convite para que mais pessoas enxerguem a Amazônia, reconhecendo a sua potência humana, cultural e simbólica”.

“A Ferida de Kopenawa”, de Alícia Bianca, retrata o líder yanomami Davi Kopenawa


Sobre a artista

Alícia Bianca é artista plástica e artesã roraimense, reconhecida como uma das vozes mais expressivas da arte contemporânea do estado, destacando-se pela precocidade e pelo forte vínculo com a identidade regional. Sua trajetória artística iniciou aos 12 anos, utilizando a arte como forma de terapia e expressão pessoal. Atualmente é acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima - UFRR.

Seu trabalho é predominantemente desenvolvido à mão livre, utilizando múltiplas técnicas que revelam sensibilidade narrativa e forte relação com as estéticas amazônicas. A artista inspira-se na musicalidade regional do Trio Roraimeira e nos pontos turísticos, símbolos culturais e paisagens de Roraima, que permeiam sua poética visual.

Ao longo de sua trajetória, conquistou 19 premiações em concursos de desenho nos âmbitos regional, nacional (São Paulo e Rio de Janeiro) e internacional (Portugal e Itália). Sua produção também dialoga com o campo editorial é autora da ilustração da capa do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de Roraima, com versões em português e espanhol, além de ilustrar capa de livro de ficção e materiais editoriais diversos, ampliando o alcance social, educativo e cultural de sua produção artística.

Em 2025, promoveu a mostra itinerante Identidade e Cultura: Roraima e suas Singularidades, apresentada em instituições como a Galeria Franco Melchiorri (Sesc-RR Mecejana) e o Centro de Memória e Cultura do Tribunal de Justiça de Roraima. No mesmo ano, tornou-se a mais jovem imortal da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia, ocupando a cadeira nº 329, e recebeu a Comenda Honorífica Pena de Ouro na categoria Criação Cultural e Artística, em reconhecimento à relevância de sua contribuição cultural, em Manaus-AM.

Em 2026, obteve destaque nacional ao ser a única artista roraimense selecionada no chamamento Arte Amazônia e seus Povos, promovido pela organização Artigo 19, com a obra A ferida de Kopenawa. No mesmo período, foi homenageada pela Assembleia Legislativa de Roraima na exposição Mulheres que inspiram.

Sua produção, além de premiada, alcançou novos espaços ao integrar a 1ª Bienal da Arquitetura Brasileira, em São Paulo, reafirmando o papel central de sua obra na construção e valorização das narrativas amazônicas contemporâneas.

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