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| Bailarina, produtora cultural e mulher indígena, Maga foi selecionada para o 17º Fórum Nacional de Dança, em São Paulo |FOTO: Arquivo Pessoal |
Roraima estará oficialmente representado em um dos maiores espaços de debate político-cultural do país. A artista cênica, produtora e consultora cultural María Gabriela Villalba Jaya'aliyú, amplamente conhecida como Maga, foi selecionada para participar do 17ª Fórum Nacional de Dança (FND), que acontecerá entre os próximos dias 20 e 23 no Centro Cultural São Paulo (CCSP).
O feito representa um marco de representatividade: Maga é uma das três mulheres indígenas do Brasil escolhidas para contribuir com os debates sobre o futuro da dança no evento nacional. Atualmente à frente da direção da D'Luar Maged Productions, da coordenação-geral do Coletivo Sinergia Transfronteiriça das Artes e idealizadora do projeto de inovação tecnológica Piapó Access — aprovado pelo Programa Centelha 3 RR —, Maga celebra o reconhecimento de uma trajetória construída com resiliência no extremo Norte do país.
“Agradeço a Deus e a Male'iwa (nossa deidade na cultura Wayüu) por ver esse trabalho finalmente reconhecido no Brasil. Mesmo após passar dois anos imersa no desafiador processo da maternidade, nunca me afastei da dança. Viver da arte em Roraima é um desafio diário para quem tem a dança como elemento de vida, e esse peso é ainda maior para quem carrega o histórico da migração. Tive o apoio de pessoas que nem me conheciam, além de espaços como Toca da Bruxa, Espaço & Cia Well Souza e a Dona de Piknik. Isso é algo que nunca vou esquecer. Hoje, como cidadã brasileira, sinto que estou colhendo as sementes que plantei com muito suor ao longo desses anos”, afirma a artista.
O olhar indígena e a urgência de demandas reais
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| Maga ressalta que sua cadeira em São Paulo não pertence somente a ela, mas também a todos os fazedores de cultura de Roraima que lutam diariamente pela sobrevivência da área |
A participação de três mulheres indígenas no Fórum Nacional promete trazer uma perspectiva diferenciada e descentralizada para as políticas públicas do setor. No entanto, Maga ressalta que sua cadeira em São Paulo não pertence somente a ela, mas também a todos os fazedores de cultura de Roraima que lutam diariamente pela sobrevivência da área.
Uma das principais pautas que a delegada pretende levar ao debate nacional é a desigualdade na distribuição de recursos públicos. Historicamente, nos editais de incentivo à cultura, a categoria da dança recebe as menores fatias orçamentárias quando comparada a outras linguagens artísticas. Em Roraima, a ausência de subsídios públicos contínuos faz com que a sobrevivência da dança dependa quase exclusivamente da iniciativa privada e do esforço autônomo de escolas e coletivos locais.
O fortalecimento por meio da lei
O momento político é estratégico. O setor nacional da dança vive um período de transição e estudo com os avanços nos debates da Lei da Dança e dos direitos previdenciários dos profissionais das artes da cena. O marco regulatório e os textos que defendem a aposentadoria especial para profissionais da dança — devido ao desgaste físico inerente à profissão — exigem que a categoria se organize e compreenda os impactos dessas garantias legais.
“Sempre encarei a dança como minha profissão e meu elemento vital. Agora, quando a legislação avança para respaldar e proteger nossa carreira, os impactos serão profundos. É nosso dever estudar, analisar e garantir que Roraima esteja incluído nessas conquistas. Estar presente nessa escuta ou preencher o formulário é uma forma de dizer ao Brasil: nós existimos. E garantir nossa existência no mapa já é uma grande vitória histórica”, pontua Maga.
Ativismo social
Paralelamente, o coletivo inicia um projeto de base comunitária voltado à criação de uma escola tradicional e folclórica para crianças, com aulas desenhadas para integrar toda a família. A proposta prevê atividades simultâneas, permitindo que, enquanto as mães dançam e vivenciam seu momento de expressão, os filhos desenvolvam habilidades artísticas.
“Vem muita coisa boa por aí, mas precisamos de apoio. Seguir em frente é o nosso foco. Não somos conhecidas por desistir; pelo contrário, estaremos sempre ativas, construindo coletivamente. Conto com mulheres maravilhosas ao meu redor, profissionais e empreendedoras que querem lutar por esses espaços ao meu lado”, projeta Maga.
Escuta Coletiva: unindo vozes na JM Jazz
Para garantir que a representação em São Paulo seja legítima e alinhada à realidade do território, Maga promoverá uma Escuta Coletiva nesta segunda-feira, 18 de maio, das 15h às 18h, no espaço cedido pela JM Jazz Centro de Arte.
O encontro é aberto a professores, mestres, bailarinos, coreógrafos, gestores e integrantes de grupos folclóricos e juninos. O formato será dinâmico e em fluxo contínuo: quem não puder chegar no início poderá comparecer em qualquer horário dentro do intervalo de três horas para registrar suas propostas.
Escuta Coletiva: Roraima no XVII Fórum Nacional de Dança
Data: Segunda-feira, 18 de maio de 2026
Horário: Das 15h às 18h (escuta ativa livre)
Local: JM Jazz Centro de Arte
Participação virtual: Fazedores de dança que não puderem comparecer presencialmente poderão registrar suas demandas e assinar a lista de participação por meio do formulário digital disponível via QR Code nas redes oficiais da delegada ou pelo e-mail do projeto.
Com informações de D'Luar Maged Productions


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