"ESCRITO POR MIM"| Euterpe lança álbum intimista de voz e piano


Novo trabalho tem letras de Odara Rufino e acompanhamento da pianista Bianca Gonçalves: parceria celebra o amor e o universo feminino |FOTO: Yanka Thaynna (Sapo Criativo)



A cantora roraimense Euterpe lança nesta sexta-feira (29) o álbum “Escrito em Mim”, com nove músicas autorais compostas por ela com letras da poeta e artista visual Odara Rufino. O trabalho, gravado ao vivo em formato intimista de voz e piano, chega às principais plataformas digitais e ao canal da artista no YouTube, resultado de uma parceria artística entre mulheres com produção musical e arranjos da pianista Bianca Gonçalves.

O álbum foi produzido no Bateras Beat Music School, em Boa Vista. O projeto surgiu após Euterpe conhecer Bianca Gonçalves no 3º Festival Internacional de Música do Sesc, em 2025, quando ambas participavam de apresentações com a Orquestra Jovem do Sesc/RR. A conexão artística se consolidou por meio de um edital de incentivo e fomento à cultura.

Segundo a cantora, o encontro permitiu dar forma musical às composições já em andamento com Odara. “Conheci a Bianca no festival e logo estabelecemos uma conexão. Surgiu então da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e vislumbrei a possibilidade de uma parceria, de um concerto de voz e piano com ela”, afirmou Euterpe.



Entre metáforas e sentimentos profundos

Euterpe compôs as melodias, enquanto Bianca Gonçalves criou arranjos que mesclam referências clássicas com a música popular |FOTO: Yanka Thaynna (Sapo Criativo)


Euterpe ressalta que as letras de Odara Rufino abordam o amor, o universo feminino, a individualidade dos sentimentos e diferentes formas de relacionamento. A cantora compôs as melodias, enquanto Bianca Gonçalves criou arranjos que mesclam referências clássicas com a música popular. O resultado é um trabalho descrito como acolhedor, propício à reflexão e à conexão emocional.

“Esse formato de voz e piano já é bem clássico na MPB. Eu vinha ouvindo Vanessa Moreno com Salomão Soares, Zeca Baleiro, Zizi Possi, e isso também me inspirou. Fechei na parceria com as letras da Odara e o piano da Bianca. Um olhar totalmente feminino para a apresentação desta obra”, explicou Euterpe.

A faixa “Um poema sobre nós” ganha destaque, sobretudo para a cantora, pois traz a expressão “amar em voz alta”, inspirada em uma trend das redes sociais, e incorpora elementos como a escala cigana e influências do fado português.

A cantora Euterpe cita referências variadas na construção do álbum, de Dalto, Patrícia Marx e Marina Lima a compositores latino-americanos como Luis Miguel e Jorge Drexler, além de Lupicínio Rodrigues, Elizeth Cardoso, Amália Rodrigues e contemporâneos como Thiago Iorc e Natalia Lafourcade. “Espero que o público absorva a mensagem de amar com liberdade, ter-se como prioridade e cultivar o amor-próprio”, disse.



Produção

Um time de competentes profissionais de diversas áreas estiveram envolvidos na produção do álbum e clipe |FOTO: Yanka Thaynna (Sapo Criativo)


A estética visual do audiovisual gravado no estúdio remete ao universo literário, com rosas vermelhas, figurino preto, máquina de escrever retrô e pergaminho gigante. A produção contou com assistência de Ana Lu (Movconnections), cobertura de bastidores por Yanka (Sapo Criativo), gravação, mixagem e masterização de Franklin Lima, e edição audiovisual de Regis Calixto. 

Novos projetos

Euterpe finaliza dizendo que, no momento, a proposta é divulgar o novo álbum, promovendo a escuta nas plataformas digitais e o audiovisual no Youtube. "Queremos fazer com que as pessoas conheçam este trabalho e quem se identificar, possa incluir essas canções na sua vida". Tambném não descarta um concerto com a pianista Bianca Gonçalvez, atualmente morando em Brasília. 

Mais informações sobre o álbum e outros projetos da artista podem ser obtidas no Instagram @euterpemusica_ e no canal Euterpe Música no YouTube


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Confira o bate-papo que tiveos com Euterpe sobre seu mais novo trabalho:

Euterpe: "Espero que o público absorva a mensagem de amar com liberdade" |FOTO: Yanka Thaynna (Sapo Criativo)



PORTAL BOA VISTA - Como surgiu essa parceira, que une sua voz aos arranjos da pianista Bianca Gonçalves?

EUTERPE - Conheci a pianista Bianca Gonçalves, no 3º Festival Internacional de Música do Sesc, que participei como artista convidada da Orquestra Jovem do Sesc/RR em 2025. Naquele momento, ela estava tocando com a Orquestra, e músicas minhas que estavam no repertório do concerto, foi aí que nos conhecemos. Achei ela talentosa e simpática, e logo estabelecemos uma conexão. Em seguida, surgiu o edital da PNAB e vislumbrei a possibilidade de uma parceria, de um concerto de voz e piano com ela. Eu já vinha compondo nessa temática romântica com a poeta Odara Rufino, e o encontro com a pianista apontou uma possibilidade sonora para as nossas músicas. Os arranjos foram sendo construídos de acordo com que íamos avançando nos ensaios. Bianca pensava uma introdução, uma melodia, eu combinava com os ritmos, e alguns temas que também já tinha feito, e fomos construindo uma estética musical que se alinhasse com a minha música popular, e as referências clássicas da Bianca, que me acompanha na performance ao vivo no estúdio, em que gravamos o álbum audiovisual.


PBV - Por que a escolha de fazer um "concerto intimista de voz e piano" para transmitir a essência das canções?

EUTERPE - Esse formato de voz e piano já é bem clássico na mpb. Eu vinha ouvindo Vanessa Moreno com o Salomão Soares, e o Zeca Baleiro, Zizi Possi, que gravaram neste formato e isso também me inspirou. Conheci a Bianca, e o formato se apresentou para abraçar a proposta de fazer um álbum romântico e intimista. Fechei na parceria com as letras da Odara e o piano da Bianca. Um olhar totalmente feminino para a apresentação desta obra.

PBV - Este é mais um trabalho seu que conta com a parceria da brilhante Odara Rufino. Como essa colaboração, com uma poeta e artista visual renomada do nosso Estado, contribui para a identidade estética do álbum?

EUTERPE - Neste álbum a participação da Odara é como coautora. Todas as letras das nove canções são dela. Trabalhamos juntas no debate sobre a abordagem, a linguagem, e possíveis situações de afeto. Ela escreveu as letras e eu compus as músicas. Odara sempre está comigo nos meus trabalhos. Ela é minha parceira, capista, ilustradora, visagista e prima. E agora estamos juntas como autoras deste álbum completo. Ela sempre dá boas ideias e contribui com a estética, mas nesse trabalho a atuação maior da Odara é como poeta, se afirmando como letrista de MPB.

PBV - E sobre a identidade estética?

EUTERPE - Pensamos em estética romântica e clássica, com rosas vermelhas e figurino preto. Para representar o universo literário das letras da Odara Rufino. A Kaline Barroso do Criart Teatral, trouxe uma máquina de escrever retrô, e pergaminho gigante como elementos cênicos, compondo com outras coisas antigas que já fazem parte da decoração do estúdio. Contei também com assistência de produção da Ana Lu da Movconnections para a gravação da sessão, e ideias criativas para compor a estética vintage do vídeo. A Yanka, da Sapo Criativo, fez o reels com a cobertura dos bastidores. O Franklin Lima gravou, mixou e masterizou, e o Regis Calixto gravou e editou o conteúdo audiovisual que vai para o meu canal Euterpe Música no Youtube.

É pensado um concerto com Bianca Gonçalves em Brasília, onde a pianista mora atualmente



PBV - O projeto destaca o universo feminino e a individualidade. De que maneira essa parceria entre mulheres influenciou a construção das letras e melodias?

EUTERPE - A composição foi construída justamente para impactar as mulheres e diversas possibilidades de amar. Tive dois processos de composição. Um com a Odara e outro dos arranjos com a Bianca. Odara e eu já tínhamos feitos outras músicas que eu já tinha gravado, "No importa el reloj" e "Oiseau noir". Uma com o tema da separação e outra, uma ode à liberdade. Ela apresentou a letra de ‘Escrito em mim” e aí o álbum foi sendo construído, onde buscamos narrativas de situação afetivas. Conforme ia compondo as músicas para as letras da Odara, me lembrava das baladas românticas que eu ouvia na minha juventude, do Dalto, da Patrícia Marx, Marina Lima, os boleros do Luís Miguel, Juan Luís Guerra, Jorge Drexler, entre outros compositores do cancioneiro latino-americano, e de compositores contemporâneas que gosto, admiro e ouço, como o Dani Black e Thiago Iorc, Nathália Lafourcade, Marta Gomez. Me voltei também ao Lupicínio Rodrigues, a Elizeth Cardoso... 

Até dois dias antes da gravação eu ainda estava compondo as músicas. Teve também influência da minha experiência em Portugal, com a sonoridade dramática do fado português de Amália Rodrigues e Carlos Paredes e a forma de cantar de peito aberto, que me identifiquei. Naturalmente, os arranjos musicais foram sendo  construídos para este universo de canções românticas. Bianca trouxe as suas referências de música clássica e gospel, criou melodias para as introduções, solos, sem perder a essência da minha composição musical, de maneira que o olhar é totalmente feminino para expressar os sentimentos desta obra.

Euterpe e Odara Rufino: "Ela sempre dá boas ideias e contribui com a estética, mas nesse trabalho a atuação maior da Odara é como poeta, se afirmando como letrista de MPB"



PBV - Existe alguma faixa no álbum que tenha um significado pessoal mais profundo ou uma história de criação que você gostaria de compartilhar?

EUTERPE - Sim. A faixa “Um poema sobre nós”. Para a construção das letras pedi pra Odara que utilizasse alguma expressão atual, e ela trouxe o mote "amar em voz alta" que era uma trend em alta nas redes sociais. Achei a letra linda, cheia de metáforas poderosas e poéticas como por exemplo "escrevi um poema sobre nós, no papel timbrado com o timbre da minha voz..." e na mesma música, "eu quero ser o amor escrito à mão no livro do teu coração", como afirmação de um sentimento profundo, escrito à mão, para estar muito firme, forte, intenso, verdadeiro.

Ou seja, um tema pensado para compor este álbum. Para esta letra, busquei referências musicais que pudessem trazer um tom de dramaticidade. Comecei a compor uma melodia no violão e pensei em utilizar a escala cigana, que remete a música árabe, moura. Aqui no Brasil, essa sonoridade é muito presente nos cantos de trabalho nordestinos, nos aboios. Teve também as influências da minha temporada em Portugal, onde ouvi muito fado, que é uma música essencialmente dramática, cantada de peito aberto. Me identifiquei. Aí fui desenvolvendo essa música que é a minha preferida do álbum.

PBV - É dito qe o álbum busca proporcionar acolhimento e reflexão. Qual é a mensagem principal que você espera que o público absorva ao ouvir "Escrito em Mim"?

EUTERPE - Espero que o público absorva a mensagem de amar com liberdade para ser a gente mesma, ter-se como prioridade e cultivar o amor-próprio, voar tal qual um pássaro em busca dos seus sonhos, amando-se em primeiro lugar. O álbum traz diversas possibilidades de amar, desde o momento da conquista, a situações de separação, e mesmo nas canções de "amor negativo", não há um peso tão grande. Com ou sem alguém, o importante é ser feliz. O álbum é poético e sensível para ser sentido em todas as formas de amar.

PBV - Após esse lançamento, quais são os próximos passos para levar esse concerto intimista aos palcos e ao encontro direto com os ouvintes?

EUTERPE - Os próximos passos são divulgar a obra e promover a escuta nas plataformas digitais e o audiovisual no Youtube, fazer com que as pessoas conheçam este trabalho e quem se identificar, possa incluir essas canções na sua vida. Pretendemos realizar um concerto inicialmente em Brasília, onde a pianista Bianca reside atualmente e ir ocupando os espaços que possam receber esta proposta.



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