![]() |
| Parque do Rio Branco, área onde a cidade surgiu: hoje Boa Vista conta com mais de 485 mil habitantes |
![]() |
| Sede da Fazenda Boa Vista, que deu origem à cidade |
Cidade limpa, organizada e
segura
![]() |
| Vista aérea de Boa Vista: cidade vibrante, cheia de oportunidades e atrativos de cultura, turismo, lazer e empreendedorismo |
Abaixo, a entrevista completa com o historiador Victor Mattioni:
PORTAL BOA VISTA - Quais foram os principais fatores que levaram à fundação de Boa Vista?
Victor Mattioni - Podemos destacar três fatores principais. No contexto do século XIX, vivia-se o auge do ciclo da borracha, o que gerou a necessidade de abastecer cidades como Manaus. Nesse cenário, destacou-se a produção pecuária no então Vale do Rio Branco, além de um processo de povoamento e colonização ainda tímido. Embora esse crescimento não tenha ocorrido na intensidade esperada, foi suficiente para que, em 1830, fosse fundada a Fazenda Boa Vista por Inácio Lopes Magalhães, na margem direita do Rio Branco, onde hoje está localizada a cidade de Boa Vista.
Outro marco importante foi a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Carmo, em 1858. Posteriormente, em 9 de julho de 1890, ocorreu a criação do município de Boa Vista do Rio Branco, desmembrado do município de Moura, quando a região ainda pertencia ao Estado do Amazonas.
Também é importante destacar a localização estratégica de Boa Vista. Por estar situada em uma área de fronteira com outros países, a região despertou o interesse do governo imperial e, posteriormente, da República, que passaram a incentivar projetos de ocupação e colonização para fortalecer a presença brasileira nessa porção do território.
PBV - Como era a região onde Boa Vista foi fundada antes da chegada dos pioneiros?
V. M. - Temos evidências, por meio de sítios arqueológicos urbanos e rurais, da ocupação da região por diferentes povos indígenas. Algumas dessas etnias já não existem mais, como os povos Paraviana, que habitavam a margem direita do Rio Branco, além de outros grupos indígenas. Esses registros arqueológicos permitem compreender melhor a presença dessas populações antes da ocupação não indígena.
Na época, o deslocamento pelo Vale do Rio Branco ocorria principalmente pelos rios. O transporte do gado para Manaus, por exemplo, era feito pelo Rio Branco, a partir de Caracaraí, que funcionava como cidade-porto, especialmente durante o período de cheia.
A região também enfrentava grandes desafios logísticos e de comunicação, fatores que dificultavam a fixação de povoados. Essas dificuldades contribuíram para o fracasso de diversos aldeamentos laicos e de povoações fundadas por ordens religiosas. Apesar disso, o núcleo que mais tarde daria origem a Boa Vista conseguiu se consolidar em meio a esse contexto adverso, tornando-se o principal centro de ocupação e colonização da região.
![]() |
| Victor Mattioni, historiador: "O crescimento da cidade reforça a importância de preservar o patrimônio histórico e cultural" |FOTO: Elidiane Mattioni |
PBV - Na sua visão, quais foram os momentos históricos mais marcantes na trajetória de Boa Vista ao longo desses 136 anos?
Também merece destaque a criação do município de Boa Vista, em 9 de julho de 1890, por ato do governador do Amazonas, Augusto Ximeno Villarroy. Na época, Boa Vista ainda fazia parte do Estado do Amazonas. Outro marco decisivo ocorreu em 1943, com a criação do Território Federal do Rio Branco. Foi nesse momento que Boa Vista passou a ser a capital do território. Já a partir do final da década de 1970, com a abertura da BR-174, a cidade experimentou um novo ciclo de crescimento impulsionado pela migração de pessoas em busca de melhores condições de vida e de oportunidades no garimpo. Nos anos 1990 e início dos anos 2000, Boa Vista passou a atrair um novo perfil de migrantes, interessados principalmente na oferta de concursos públicos, característica que permanece até hoje.
Outro aspecto histórico relevante é o planejamento urbanístico da cidade. Quando Boa Vista se tornou capital do Território Federal do Rio Branco, surgiu a preocupação de conferir à cidade a estrutura e a aparência de uma capital. Na década de 1940, foi elaborado o plano urbanístico de Darcy Aleixo Derenusson, da empresa Riobrás, tornando Boa Vista uma das poucas capitais brasileiras planejadas, ao lado de cidades como Belo Horizonte. Esse planejamento antecedeu a construção de Brasília e foi implantado em condições bastante desafiadoras, já que, naquela época, a BR-174 ainda não existia. Os materiais chegavam exclusivamente por via fluvial, durante o período de cheia do Rio Branco, e as obras contaram principalmente com mão de obra local. Esse é um dos aspectos que tornam a história urbanística de Boa Vista especialmente singular.
PBV - Que legado histórico e cultural você acredita que Boa Vista deve valorizar para seu futuro?
V. M. - Nos últimos anos, Boa Vista voltou a registrar um crescimento populacional expressivo, assim como ocorreu na década de 1980. Esse avanço está relacionado, principalmente, ao fluxo migratório de venezuelanos, à chegada de pessoas atraídas pelos concursos públicos e à busca por melhor qualidade de vida.
Além disso, a cidade apresenta grande potencial de expansão, especialmente nos setores da construção civil e do mercado imobiliário. Esse desenvolvimento pode ser observado na expansão de loteamentos nas zonas Leste, Oeste e Norte, bem como no processo de verticalização, com a construção de edifícios residenciais e condomínios.
Esse crescimento reforça a importância de preservar o patrimônio histórico e cultural de Boa Vista, conciliando desenvolvimento urbano com a valorização da identidade construída ao longo de seus 136 anos de história.
.jpg)



0 Comentários