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| Ópera Buffa de Fantoches será apresentada às 19h, na sala Roraimeira do Teatro Municipal de Boa Vista |
Como forma de valorizar as lendas e tradições populares, bem como reforçar o coro em prol da proteção da natureza, a Companhia de Ópera de Roraima estreia mundialmente nesta quinta-feira (13) a Fantópera “A Caipora – Ópera Buffa de Fantoches”. O espetáculo é livre para todos os públicos e está marcado para as 19h, na Sala Roraimeira do Teatro Municipal de Boa Vista, com retirada gratuita de ingressos uma hora antes.
Esta é uma ópera cômica em dois atos, com música e libreto originais compostos por Lilyane Lopes e Nickole Pineda. A sinopse já deixa clara a proposta: “Na floresta vive a esperta Caipora, espírito maluco e guardiã da natureza, e também Yamê, seu amigo indígena nativo da região! Mas a paz acaba quando o terrível Capitão Virgulino Corta-Tudo resolve destruir a mata e os animais por pura diversão!”.
Os personagens contarão com as vozes da soprano Bianka Tarolla (Caipora), do tenor Juan Alexis (Yamê) e do barítono Josenor Rocha (Capitão Virgulino Corta-Tudo). A composição evoca sons da floresta, emoções e a intensidade de cada mensagem expressa em cena, o que deve proporcionar à plateia um envolvimento ainda maior com a história.
A maestrina e diretora musical da companhia, Lilyane Lopes, explica que houve uma extensa pesquisa sobre a lenda da Caipora, bem como sobre rituais e as diversas manifestações da cultura indígena. Em especial, um vídeo de um bebê indígena dançando durante um ritual, no qual era possível ouvir claramente o som do chocalho, chamou a atenção dela e de Nickole, além de uma flauta pataxó. Essas foram algumas das referências incorporadas à ópera.
“Misturando todos esses elementos, conseguimos criar uma atmosfera que transmite esse sentimento indígena e ancestral, principalmente ligado ao Yamê, que é o nosso indígena nativo da região. Ao mesmo tempo, buscamos trazer esse lado heroico e divertido do personagem. A música, na verdade, vai contando a história junto com os fantoches, transmitindo os sentimentos e até as ações deles”, disse Lilyane.
“Na parte indígena, a gente também inseriu um ritmo inspirado na toada de boi-bumbá, que traz muito esse sentimento de pertencimento e de amor por aquilo que já fomos um dia, como aparece no Lamento do Yamê”, explica Nickole. “É quase como dizer: um só povo, os nativos. Uma das coisas que mais buscamos na composição foi transmitir também o mistério e a fantasmagoria da Caipora, que é esse espírito protetor da floresta, que protege a mata através de artimanhas e encantos. Então isso aparece muito claramente nas melodias e na atmosfera da música”.
A fantópera conta ainda com marchas militares, que representam o Capitão Virgulino Corta-Tudo, o antagonista e vilão da história. “Então cada personagem acaba tendo uma identidade musical própria, e a música ajuda o público a entender quem eles são, o que estão sentindo e o que está acontecendo em cena”, ressalta a diretora de cena e uma das compositoras da obra.
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| Solistas: Josenor Rocha (Capitão Virgulino Corta-Tudo); Juan Alexis (Yamê) e Bianka Tarolla (Caipora) |FOTO: Acervo da Companhia de Ópera de Roraima |
A fantópera conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura — Ministério da Cultura/Governo Federal —, patrocínio da Companhia de Ópera de São Paulo e da MeloFarma, bem como do apoio da Prefeitura de Boa Vista, por meio da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), do Teatro Municipal de Boa Vista, do Curso de Música da Universidade Federal de Roraima, do canal ENTREÓPERA e da Academia Amazonense de Música.
Segundo o presidente e solista da companhia, Juan Alexis, há muitas outras óperas sendo pensadas e preparadas para apresentação ao público roraimense. “É um momento muito especial para nós, porque estamos apresentando ao mundo uma obra que nasceu em Roraima e que carrega a identidade amazônica. E esperamos que essa seja apenas a primeira de muitas fantóperas que ainda estão por vir. Como solista da ópera, me sinto honrado em fazer parte deste marco histórico roraimense e agora mundial”.
Vale destacar que a Fantópera terá legendas em português em tempo real e tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Amazônia e sua diversidade
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| Fantópera vem como um resgate das lendas e da cultura ancestral na Amazônia |FOTO: Acervo da Companhia de Ópera de Roraima |
A Fantópera “A Caipora” nasce da ideia de unir a ópera aos fantoches, mas, nesta estreia mundial, também vem com o propósito de resgatar e valorizar as lendas amazônicas, bem como a cultura e os povos ancestrais. Ao mesmo tempo, busca conscientizar sobre a importância de preservar a floresta e tudo aquilo que faz parte dela.
A ópera é construída como uma espécie de fábula, com um narrador que conduz o público por esse universo e, ao final, deixa uma mensagem. Assim, apesar de ser uma obra divertida, cheia de fantasia, música e humor, existe uma reflexão muito importante por trás de tudo. Segundo Nickole, a proposta é que o público saia do teatro não somente encantado com a história, mas também pensando sobre a importância de preservar a floresta, a cultura e as próprias raízes.
“Creio que a mensagem fundamental da Fantópera tem muito a ver com as nossas próprias histórias. Nós, maestrina Lilyane e eu, como mulheres amazônidas, crescemos desde pequenas escutando as lendas amazônicas, ouvindo histórias sobre a floresta, sobre a Caipora e sobre os povos que fazem parte da nossa identidade. Só que, infelizmente, tudo isso é algo que vem se perdendo com o tempo”, ressalta Nickole.
A voz da proteção da natureza
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| Bianka Tarolla dará vida e voz à Caipora: "uma verdadeira manifestação de força ancestral da natureza, uma presença que representa aquilo que não pode ser desafiado, violado ou desrespeitado" |
Para dar vida e voz à personagem central da Fantópera, Bianka Tarolla tem o tom e a essência fundamentais para essa missão. Ela atua desde os 15 anos na música de concerto, sobretudo junto à Companhia de Ópera de Roraima, onde ingressou em 2017, integrando as atividades da instituição como solista e coralista em concertos, recitais e montagens operísticas.
Para Bianka, a Caipora é uma verdadeira manifestação de força ancestral da natureza, uma presença que representa aquilo que não pode ser desafiado, violado ou desrespeitado. Por isso, é de extrema importância a mensagem que a Fantópera pretende transmitir ao público, da criança ao adulto: a natureza precisa ser cuidada, preservada e protegida.
“Ao lado da ópera, essa figura ganha ainda mais simbolismo, transmitindo uma mensagem urgente sobre a importância da preservação ambiental e sobre as consequências reais do descaso e da exploração da natureza. A ópera é Buffa (cômica), voltada principalmente ao público infantil, e os temas são apresentados de maneira leve. Mas a forte mensagem que fica é que a floresta não é apenas um cenário, mas um organismo vivo, cheio de força, memória e voz, e que toda ação humana sobre ela gera consequências”, disse.
A identificação com a personagem é quase imediata. Além dos cabelos avermelhados, Bianka ressalta a risada aguda, estridente e completamente descontrolada. “Nickole e a maestrina Lilyane criaram a Fantópera inspirada nas próprias ‘personalidades’ das vozes dos solistas, e sinto que a Caipora foi um encontro perfeito entre personagem e intérprete. Sua risada marcante, sua energia indomável e sua personalidade misteriosa conversam diretamente com as características da minha voz. É como se a personagem tivesse encontrado, na minha voz, uma extensão de sua própria essência”, comenta.
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| Biana e a Caipora: "É como se a personagem tivesse encontrado, na minha voz, uma extensão de sua própria essência" |
Além de “A Caipora”, Bianka apresenta — já no dia seguinte — a ópera “La Serva Padrona”, de Giovanni Battista Pergolesi, na qual interpreta Serpina, uma serva astuciosa que traça uma estratégia para se casar com seu patrão, Uberto (Josenor Rocha), com a ajuda do criado Vespone (Juan Alexis). A soprano ressalta que participar de duas óperas na mesma semana é, sem dúvida, um grande desafio, exigindo muito estudo, dedicação, disciplina e entrega de todos os envolvidos. Mas, ao final, todo esse esforço se transforma em algo extremamente recompensador.
“Depois de tantos ensaios e horas de preparação, a companhia mais uma vez se dedica a entregar um trabalho grandioso, cuidadoso e feito com muito amor pela arte. E isso vai muito além do canto: envolve a excelência dos músicos e instrumentistas, os figurinos, o cenário, a caracterização e todos os detalhes que fazem uma ópera ganhar vida no palco. E desta vez não será diferente. Posso garantir que está tudo ficando lindo e que o público pode esperar por uma experiência muito especial. O público não perde por esperar! Tenho certeza de que todos vão se apaixonar”.
FIQUE LIGADO!
Na sexta-feira (14) tem mais ópera no Teatro Municipal. A partir das 20h, a Companhia de Ópera de Roraima apresenta “La Serva Padrona”, na Sala Roraimeira. Os ingressos são gratuitos e poderão ser retirados na bilheteria do teatro uma hora antes do início do espetáculo. Para conferir estes e outros projetos, basta seguir o perfil no Instagram @roraimaopera.
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