A jovem artista plástica e artesã roraimense Alícia Bianca Fernandes Silva, de 20 anos, acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR), recebeu o Diploma de Honra ao Mérito em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Literatura, à Arte e à Cultura, contribuindo para o engrandecimento e a valorização da cultura amazônica no Brasil. A homenagem foi concedida pela Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA), durante cerimônia realizada nesta segunda-feira (3), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.
Alícia Bianca vem se destacando pelo impacto sociocultural de sua produção. Suas obras atuam ativamente na valorização, preservação e difusão da identidade cultural de Roraima e da Amazônia em diferentes escalas.
“Recebo essa Honra ao Mérito com alegria e gratidão, pois ela representa o reconhecimento da minha trajetória como artista plástica roraimense e a valorização da arte produzida na Amazônia, principalmente no meu estado, Roraima. Relembro o início da minha trajetória, aos 12 anos, e hoje me emociono ao ver minhas produções artísticas sendo trabalhadas em salas de aula de diversos municípios e em cursos universitários, como temas de reflexão sobre a nossa cultura, identidade e território. A arte que nasceu em uma folha de papel nas mãos de uma jovem hoje inspira estudantes e contribui para a construção do conhecimento e para a valorização da riqueza cultural da Amazônia”, afirmou Alícia.
Na ocasião, também foi lançado o livro Antologia Comemorativa ALACA 2026. A obra reúne textos de diversos autores e constitui um registro da diversidade e da riqueza da literatura, da arte e da cultura amazônicas e brasileiras, contemplando diferentes estilos, pensamentos e sentimentos.
![]() |
| Alícia Bianca também integra a obra "Antologia Comemorativa ALACA 2026", com a poesia "Corpos que não se calam" |FOTO: Fernando Vasconcelos |
Alícia integra a iniciativa com a poesia “Corpos que Não Se Calam", publicada na página 133, na qual aborda a realidade da violência contra a mulher, especialmente o feminicídio e as diversas formas de violência de gênero. "O texto denuncia o medo cotidiano vivido por muitas mulheres, questiona a culpabilização das vítimas e afirma que nenhuma escolha, roupa ou comportamento justifica qualquer agressão. Além disso, destaca a força, a resistência e a capacidade de reconstrução feminina", afirma a artista.
Quem é Alícia Bianca
Alícia Bianca é artista plástica e artesã roraimense, reconhecida como uma das vozes mais expressivas da arte contemporânea do estado, destacando-se pela precocidade e pelo forte vínculo com a identidade regional. Sua trajetória artística teve início aos 12 anos, utilizando a arte como forma de terapia e expressão pessoal. Atualmente, é acadêmica do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Seu trabalho é predominantemente desenvolvido à mão livre, utilizando múltiplas técnicas que revelam sensibilidade narrativa e forte relação com as estéticas amazônicas. A artista inspira-se na musicalidade regional do Trio Roraimeira e nos pontos turísticos, símbolos culturais e paisagens de Roraima, que permeiam sua poética visual.
Ao longo de sua trajetória, conquistou 19 premiações em concursos de desenho nos âmbitos regional, nacional (em São Paulo e Rio de Janeiro) e internacional (em Portugal e Itália). Sua produção também dialoga com o campo editorial. Ela é autora da ilustração da capa do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de Roraima, com versões em português e espanhol, além de ter ilustrado capas de livros de ficção e materiais editoriais diversos, ampliando o alcance social, educativo e cultural de sua produção artística.
Em 2025, promoveu a mostra itinerante Identidade e Cultura: Roraima e suas Singularidades, apresentada em instituições como a Galeria Franco Melchiorri (Sesc-RR Mecejana) e o Centro de Memória e Cultura do Tribunal de Justiça de Roraima. No mesmo ano, tornou-se a mais jovem imortal da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia, ocupando a cadeira nº 329, e recebeu a Comenda Honorífica Pena de Ouro, na categoria Criação Cultural e Artística, em reconhecimento à relevância de sua contribuição cultural, em Manaus (AM).
Em 2026, obteve destaque nacional ao ser a única artista roraimense selecionada no chamamento Arte Amazônia e seus Povos, promovido pela organização Artigo 19, com a obra A Ferida de Kopenawa. No mesmo período, foi homenageada pela Assembleia Legislativa de Roraima na exposição Mulheres que Inspiram.
Sua trajetória tem sido utilizada como referência pedagógica em diferentes municípios do estado de Roraima e em cursos universitários, evidenciando seu papel como agente cultural transformadora.
Sua produção artística, além de premiada, alcançou novos espaços ao integrar a 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira, realizada no Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP), reafirmando o papel central de sua obra na construção e valorização das narrativas amazônicas contemporâneas.
Com informações de Alícia Bianca
.jpg)
.jpg)
0 Comentários