![]() |
| A fantópera “A Caipora” e “La Serva Padrona” são as apostas ousadas da Companhia de Ópera de Roraima, com garantia de casa lotada em ambas as apresentações |
Espetáculos de qualidade, artistas de alto nível e cenografia impecável são algumas das marcas da Companhia de Ópera de Roraima. Mas alguns itens dessa lista — que é longa — se destacam: a ousadia e a coragem para superar desafios. Prova disso é que, nesta semana, a companhia apresenta no Teatro Municipal a fantópera “A Caipora” (dia 13, a partir das 19h) e a ópera “La Serva Padrona” (dia 14, às 20h). Ambas terão entrada gratuita (com retirada de ingressos uma hora antes do início), com ótima expectativa de casa lotada.
Segundo o presidente da companhia, Juan Alexis, cada nova montagem representa a continuidade de um projeto que começou com um grande propósito: mostrar que é possível produzir ópera em Roraima, com artistas daqui e também em diálogo com profissionais de outras regiões e países.
“Para o cenário cultural de Roraima, acredito que cada espetáculo ajuda a ampliar a diversidade daquilo que pode ser produzido e apresentado no estado. A Companhia de Ópera de Roraima vem consolidando uma trajetória de produção contínua, formando público, artistas e equipes técnicas em ópera. Nosso objetivo não é simplesmente trazer grandes obras para Roraima, mas fazer com que Roraima também seja reconhecida como um lugar onde grandes obras podem ser produzidas”, afirma Juan.
Ambas as óperas contarão com regência da maestrina e diretora musical Lilyane Lopes, além de coro e orquestra da Companhia de Ópera de Roraima. Vale ressaltar que os espetáculos contam com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura — Ministério da Cultura/Governo Federal —, patrocínio da Companhia de Ópera de São Paulo e da MeloFarma, bem como do apoio da Prefeitura de Boa Vista, por meio da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), Teatro Municipal de Boa Vista, Curso de Música da Universidade Federal de Roraima, canal ENTREÓPERA e Academia Amazonense de Música.
O apoio para essas grandes empreitadas é mais que justificável, pois produzir ópera em Roraima exige criatividade e capacidade de adaptação. O cenógrafo Christopher Pineda afirma que a distância dos grandes centros torna a aquisição de materiais e equipamentos necessários um dos principais desafios da companhia.
“Na cenografia, isso é ainda mais evidente: desenvolvemos e construímos todos os elementos cenográficos aqui, buscando soluções viáveis sem abrir mão da qualidade artística. Ao longo da trajetória da Companhia, aprendemos a transformar essas limitações em possibilidades e criamos nossa própria estratégia para a produção de grandes espetáculos de ópera”.
![]() |
| Bastidores da Companhia de Ópera de Roraima: preparação para dois grandes espetáculos |FOTO: João Felipe Amaral |
Saiba mais sobre as óperas que serão apresentadas nesta semana:
“A Caipora”
“Na floresta vive a esperta Caipora, espírito maluco e guardiã da natureza, e também Yamê, seu amigo indígena nativo da região! Mas a paz acaba quando o terrível Capitão Virgulino Corta-Tudo resolve destruir a mata e os animais por pura diversão!”. Essa é a sinopse da fantópera que fará sua estreia mundial no dia 13, a partir das 19h.
Trata-se de uma obra cômica em dois atos, com música e libreto originais, assinados por Lilyane Lopes e Nickole Pineda, sendo apresentada pela companhia como a primeira ópera composta em Roraima. Temos aqui o nascimento de um novo gênero operístico, a fantópera, apresentada como a primeira do mundo. Voltada a toda a família, traz uma mensagem mais que necessária: a preservação da natureza e de toda a vida que habita nela.
Os personagens receberão as já celebradas vozes da soprano Bianka Tarolla (Caipora), do tenor Juan Alexis (Yamê) e do barítono e convidado especial Josenor Rocha (Capitão Virgulino Corta-Tudo). A composição evoca a floresta, as emoções e a intensidade de cada cena, deve levar a plateia a um envolvimento ainda mais forte com a história.
La Serva Padrona
![]() |
| Entre muito humor, astúcia e reviravoltas, a ópera mostra que, às vezes, quem parece mandar é justamente quem está sendo conquistado |
Divertida ópera cômica em dois atos, de Giovanni Battista Pergolesi, “La Serva Padrona” conta a história de Serpina (Bianka Tarolla), que já cansou de obedecer e decide que chegou a hora de assumir o comando da casa e também do coração de seu patrão, Uberto (Josenor Rocha). Com a ajuda do esperto — e mudo! — criado Vespone (Juan Alexis), ela coloca em prática um plano cheio de disfarces, confusões e situações hilárias para convencer o rabugento solteirão de que a melhor escolha é casar-se com ela. Entre muito humor, astúcia e reviravoltas, a ópera mostra que, às vezes, quem parece mandar é justamente quem está sendo conquistado.
Segundo a maestrina Lilyane Lopes, apesar de ter sido escrita no século XVIII, “La Serva Padrona” continua extremamente divertida e atual. “É uma ópera cômica, cheia de situações absurdas, jogos de poder, confusões e personagens muito carismáticos. O público pode esperar uma experiência leve, dinâmica e muito divertida, porque a música e a encenação trabalham juntas para provocar o riso. É uma obra que mostra que a ópera também pode ser espontânea, irreverente e, acima de tudo, muito engraçada”, comentou.
Na parte cênica, a companhia preservou a estrutura e o espírito da obra, fazendo algumas adaptações para o público de hoje. Já na música, as árias serão mantidas em italiano, acompanhadas de tradução para o português, enquanto as partes teatrais serão apresentadas em português, justamente para aproximar o público e tornar a história mais acessível.
“É uma ópera extremamente teatral e divertida, então nosso trabalho é encontrar a melhor maneira de fazer com que nosso público roraimense compreenda, se envolva e se divirta com ela, mantendo a essência de ‘La Serva Padrona’”, ressaltou a diretora de cena e spalla da orquestra, Nickole Pineda.
- Para saber mais sobre estes e outros projetos da companhia, basta seguir o perfil no Instagram @roraimaopera.


%20ok.jpg)

0 Comentários