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| Comunidade Indígena Canauanim, onde parte das filmagens ocorreu, será o local das primeiras sessões |
Depois de um longo processo de produção, marcado por desafios, limitações e diversas etapas de construção, o curta-metragem de ficção “Jayeechi II: Transcendental” está concluído e se prepara para sua primeira exibição na Comunidade Indígena Canauanim, onde parte das filmagens ocorreu.
Dirigido e roteirizado pela artista indígena Wayüu Maga Jaya’aliyú, conhecida como Maga, o filme terá a comunidade como primeiro público, em uma sessão pensada como forma de retorno e agradecimento às pessoas que participaram e acolheram a produção. Posteriormente, a equipe pretende definir uma data para a estreia aberta ao público em Boa Vista.
A produção é continuação de “Jayeechi: Canto para a essência do corpo, alma e mente”, lançado em 2021, retomando a relação entre ancestralidade, espiritualidade, música e identidade indígena. A narrativa acompanha uma mulher indígena Wayüu e xamã que, por meio da magia ancestral, transcende dimensões para resgatar uma cantora perdida no mundo espiritual. Durante a jornada, ela encontra uma nova comunidade, onde diferentes expressões artísticas e culturais se entrelaçam.
O Jayeechi, canto tradicional Wayüu, permanece como um dos elementos centrais da obra, que também busca refletir sobre a preservação das culturas dos povos originários. Mas a obra terá também o canto Wapichana. Para Maga, a produção representou uma oportunidade de reafirmar a própria identidade e registrar aspectos da memória e da cosmovisão indígena para as novas gerações.
“Este filme foi feito com muita dedicação e delicadeza. Ele precisava de atenção, porque estamos falando da nossa essência indígena e de uma cosmovisão que é diferente. A maneira como nós, povos indígenas, enxergamos determinadas coisas não é necessariamente a mesma maneira como outras pessoas vão assistir ou interpretar a obra”, disse.
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| Wayüu Maga Jaya’aliyú (Maga): "A maneira como nós, povos indígenas, enxergamos determinadas coisas não é necessariamente a mesma maneira como outras pessoas vão assistir ou interpretar a obra” |
Segundo a diretora, essa diversidade de interpretações também faz parte da proposta do filme. Cada espectador poderá construir sua própria leitura a partir das experiências pessoais, enquanto, para os povos indígenas, a obra assume ainda a função de preservar memórias, identidade e formas próprias de compreender o mundo.
O processo de produção também trouxe impactos para além do audiovisual. Desde o início das movimentações para as gravações, a Comunidade Canauanim passou a receber maior atenção de grupos artísticos, produtores culturais e iniciativas relacionadas a atividades culturais.
“É muito bonito perceber que, desde que começamos a movimentar as gravações, muitos grupos artísticos, produtores culturais e festivais passaram a desenvolver atividades junto à comunidade. Isso significa que ela ganhou mais visibilidade. E ainda há muito a ser feito”, destaca Maga.
A relação da artista com a comunidade também se estende a trabalhos e articulações nas áreas de arte, formação, educação e turismo. Para Maga, esse vínculo deve continuar mesmo após a conclusão do filme, fortalecendo as possibilidades de intercâmbio e desenvolvimento de novas iniciativas.
Mulheres na produção audiovisual
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| “Não queríamos apenas fazer um filme. Mas também construir uma obra que carregasse a nossa essência”, ressalta Maga |
Outro aspecto destacado pela diretora é a importância de ampliar a participação feminina nos processos de criação, direção e produção cinematográfica. Para ela, mulheres também devem ter autonomia para desenvolver seus próprios projetos, mesmo quando não contam com o suporte de grandes produtoras.
“Eu considero muito importante que mulheres possam se desligar de grandes empresas e também criar seus próprios filmes e projetos audiovisuais. Nem todas temos o privilégio de ter uma grande produtora ao nosso lado. Muitas vezes precisamos construir tudo com os recursos que temos, com muita dedicação e persistência”.
Maga considera o cinema independente uma ferramenta de autonomia e cita a própria produção de “Jayeechi II: Transcendental” como exemplo desse processo. “Não queríamos apenas fazer um filme. Mas também construir uma obra que carregasse a nossa essência”, afirma.
Um reencontro com a identidade Wayüu
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| A escolha da Comunidade Canauanim como primeiro local de exibição reforça o vínculo estabelecido durante a produção |
Nascida na Venezuela e pertencente ao povo Wayüu, Maga também considera que a produção proporcionou um processo pessoal de reconexão com suas raízes. Durante as filmagens, recebeu acolhimento do tuxaua da Comunidade Canauanim, Helinilson Cadete, a quem dedica um agradecimento especial. "Me fez sentir como se eu estivesse novamente na minha aldeia, na Guajira. Essa acolhida foi muito importante para mim”.
A experiência, segundo a diretora, teve impacto direto em sua trajetória pessoal. “Graças a este filme, eu resgatei totalmente a minha identidade Wayüu. Foi muito mais do que realizar uma produção audiovisual. Foi também um reencontro comigo mesma, com minhas raízes e com aquilo que eu carrego da minha ancestralidade".
Da Comunidade para Boa Vista
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| A proposta é que o filme não seja apenas uma obra sobre os povos indígenas, mas uma produção construída a partir do diálogo, da participação e da presença das próprias comunidades |
A escolha da Comunidade Canauanim como primeiro local de exibição reforça o vínculo estabelecido durante a produção. A intenção da equipe é apresentar inicialmente o resultado às pessoas que participaram do processo e, posteriormente, anunciar a estreia em Boa Vista.
A proposta é que o filme não seja apenas uma obra sobre os povos indígenas, mas uma produção construída a partir do diálogo, da participação e da presença das próprias comunidades. As gravações passaram por diferentes locais de Roraima, entre eles a Comunidade Canauanim, o Mirante Edileusa Lóz e o rio Branco.
“Jayeechi II: Transcendental” se apresenta, assim, como uma obra sobre ancestralidade e identidade, mas também sobre encontros: entre diferentes linguagens artísticas, comunidades e gerações e, sobretudo, entre uma artista e suas próprias raízes.
Confira algumas imagens de bastidores do filme:
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EQUIPE TÉCNICA — CREW
Direção e Roteiro
Maria Gabriela Villalba Jaya'aliyú
Produção Executiva
Mageditspace Audiovisual
Filmagem
Yohanan Emmanuel / Petricor
Assistente de Filmagem
Luna Gabrielle
Fotógrafo Still
Roberta de Macuxi / André Rayro
Assistente de Comunicação/Flauta
Aquiles Molero
Direção de Arte
A Dança da Lua BR
Montagem e Edição
Maria Gabriela Villalba
Design Gráfico e Identidade Visual
Lu iz Visual Art
Pack de Materiais
Infocus USA
VFX e Colorização
Hugo Mayer
Figurino e Caracterização
A Dança da Lua BR/Grupo Kaipó
Sonoplastia
D'Luar Maged Productions
TRILHA SONORA
Violino — Augusta Pacheco
Jayeechi e Poesia — Integrantes e familiares da comunidade indígena Wayüu
Professora Odete Wapishana
Flauta — Aquiles Molero
Coordenação de Logística
Xtreme Solutions — Alejandro Molero
Assistentes de Logística
Fernando Millán
Ervis Martínez
Narração em Português
Lilian Rezende de chaves
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Projeto contemplado no EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 001/2024/LPG
LEI PAULO GUSTAVO — LEI COMPLEMENTAR Nº 195/2022
FOMENTO A PROJETOS CULTURAIS NO SEGMENTO DO AUDIOVISUAL, com recursos do Governo Federal e destinado à seleção de agentes culturais atuantes no Estado de Roraima.
Com fundamento na Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), no Decreto nº 11.525/2023 (Decreto Paulo Gustavo) e no Decreto nº 11.453/2023 (Decreto de Fomento).
Produção: Mageditspace Audiovisual / D'Luar Maged Productions
Jayeechi II: Transcendental
Curta-metragem de ficção — Roraima, Brasil.
Com informações de Mageditspace Audiovisual












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