MOSTRA TAMOAKI| Cinema roraimense ganha espaço no Mormaço Cultural 2026

A programação reúne obras de diferentes gêneros e linguagens, incluindo animação, ficção e documentário |FOTO: Divulgação/Arcine


O cinema produzido em Roraima volta a integrar a programação do Mormaço Cultural. Entre os dias 9 e 13 de setembro, a 3ª Mostra TAMOAKI de Cinema apresenta cinco curtas-metragens produzidos no Estado, com sessões gratuitas na Sala Roraimeira, no Teatro Municipal de Boa Vista, sempre às 20h.

A programação reúne obras de diferentes gêneros e linguagens, incluindo animação, ficção e documentário. Os filmes apresentam personagens, paisagens e questões relacionadas à realidade amazônica e roraimense, evidenciando a diversidade da produção audiovisual local.

A mostra começa na quarta-feira (9), com a exibição de “Cadê a Água?”, de Luciano Alvarenga, e “Me Desculpe Se Você Não Sabe Interpretar”, de Hema Vieira.

Na sexta-feira (11), será exibida a animação “A Jornada de Kapoi”, dirigida por Jama Wapichana, que apresenta uma narrativa inspirada em cosmovisões e tradições indígenas. No sábado (12), o público poderá assistir a “No Limite do Lavrado”, de Alex Pizano, uma ficção que acompanha uma mulher após um grave acidente em uma região isolada de Roraima.

Encerrando a mostra, no domingo (13), será exibido “A Pele do Ouro”, documentário dirigido por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. A obra aborda, a partir das memórias de sua protagonista, a experiência de mulheres no garimpo e a migração entre a Venezuela e a Amazônia brasileira.

Criada para ampliar a circulação e a visibilidade dos filmes produzidos em Roraima, a TAMOAKI busca aproximar a produção audiovisual local do público do próprio Estado.

“É uma forma de fazer os filmes produzidos aqui chegarem para o público local. A gente produz cinema em Roraima, mas muitas vezes esses filmes circulam mais fora do Estado do que aqui. A mostra nasce justamente para criar esse encontro entre quem faz cinema e quem vive aqui”, afirma Thiago Briglia, idealizador e curador da mostra.

Para o coidealizador Elder Torres, a TAMOAKI também funciona como uma importante alavanca para os produtores audiovisuais de Roraima, que frequentemente encontram dificuldades para conseguir espaços de exibição e visibilidade para seus trabalhos.

“O Mormaço é um espaço excelente para dar visibilidade aos filmes regionais porque já existe um público cativo que acompanha a programação do festival. É uma oportunidade de colocar o cinema roraimense diante de uma plateia que já está mobilizada e interessada em cultura”, destaca Elder.

Nesta terceira edição, a seleção reúne filmes distintos entre si, tanto em linguagem quanto em temática. Há espaço para entretenimento, poesia, animação, cinema de caráter social e ambiental e narrativas baseadas em experiências reais.

“É uma curadoria que mostra a diversidade do cinema feito em Roraima. São filmes muito diferentes, mas que têm em comum o fato de serem produzidos a partir daqui e de apresentarem diferentes formas de olhar para o nosso território e para as experiências amazônicas”, destaca Briglia.

A 3ª Mostra TAMOAKI de Cinema é promovida pela Platô Filmes, em parceria com a Associação Roraimense de Cinema (ARCINE). A iniciativa conta com apoio da Escola de Cinema e Comunicação da Amazônia (ECCA) e da Tambaqui Cultural, além de patrocínio da Prefeitura de Boa Vista, por meio da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC).


OS FILMES

Cadê a Água? — 3 min | Direção: Luciano Alvarenga

A pergunta vem de alguém que nasceu ao redor da água: um habitante ribeirinho que presencia o inimaginável, o desaparecimento da água. O curta parte dessa situação aparentemente surreal para fazer um alerta sobre o uso indiscriminado dos recursos hídricos, especialmente na Amazônia, onde a abundância pode criar a falsa sensação de que a água jamais irá acabar.


Me Desculpe Se Você Não Sabe Interpretar — 8 min | Direção: Emanuella Vieira

O curta acompanha o confronto entre três personagens após a repercussão de publicações racistas nas redes sociais. Enquanto uma pessoa tenta se retratar, dois personagens apresentam contrapontos que expõem as marcas e consequências do racismo no cotidiano. Entre diálogos e tensões, o filme propõe uma reflexão sobre responsabilidade, escuta e consciência racial.


A Jornada de Kapoi — 15 min | Direção: Jama Wapichana

Curta-metragem de animação 2D inspirado em cosmovisões e tradições indígenas e associado às iniciativas da Associação Cultural Indígena Kapoi, de Boa Vista, Roraima.


No Limite do Lavrado — 15 min | Direção: Alex Pizano | Classificação: 10 anos

Após um grave acidente em uma região isolada de Roraima, Vera, servidora pública, torna-se a única sobrevivente. Ferida, sem comunicação e a centenas de quilômetros de qualquer ajuda, ela precisará enfrentar os desafios da natureza no lavrado roraimense antes que seja tarde demais.


A Pele do Ouro — 15 min | Direção: Marcela Ulhoa e Yare Perdomo | Classificação: 16 anos

Patri escreve, narra e atua no documentário, que parte de seus diários íntimos para revisitar memórias marcadas pela infância na Venezuela e pelos riscos assumidos na busca do sonhado ouro na Amazônia brasileira. Nos cadernos que acumula ao longo do caminho, onde escreve e desenha suas experiências, revela a condição da mulher no garimpo, onde, assim como a terra, tudo é revirado e explorado.


3ª Mostra TAMOAKI de Cinema

Quando: 9 a 13 de setembro

Onde: Sala Roraimeira — Teatro Municipal de Boa Vista

Horário: 20h

Entrada: gratuita

Programação: cinco curtas-metragens produzidos em Roraima, exibidos gratuitamente durante o Mormaço Cultural.


Com informações de ARCINE

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