ANA LU| Com “Minha Raiz”, artista expressa amor e orgulho por suas origens amazônicas

Ana Lu: "gosto de levar boas mensagens e provocar reflexões e bons sentimentos através da minha música"
|FOTO: Franiel Javier



Eu sou a força que vem do Norte/A cor que incendeia o Céu” são alguns dos versos que ressaltam, de fato, a potência amazônica representada em “Minha Raiz”, mais nova canção de trabalho da cantora e compositora Ana Lu. Lançada no finalzinho de 2025, a faixa traz a participação do poeta Eliakin Rufino, com produção assinada por Hyago Moura, disponível nas principais plataformas digitais.

A música vem com a estética pop contemporânea, mas com elementos amazônicos em suas nuances, como um canto ancestral que dialoga com a modernidade, o que reflete a identidade e diversidade musical da artista. Hyago Moura, que também é um guitarrista primoroso, imprime ótimas linhas melódicas do instrumento de forma sutil, mas igualmente expressivas. A mixagem e masterização foi feita em São Paulo, por Fabinho Chapa, da Chapa Music, com quem Ana Lu trabalhou no single “FYAH!”.

“Minha Raiz” nasceu da participação de Ana Lu na edição de 2025 do Festival Canto Forte. A linguagem amazônica e de fortalecimento da identidade cultural do norte presente na canção foram fundamentais para resultar no feat. com Eliakin, um dos grandes nomes do Movimento Roraimeira, ao lado de Neuber Uchoa e Zeca Preto, há mais de 40 anos.

Eliakin Rufino faz participação no single  |FOTO: Franiel Javier


“A presença de Eliakin na faixa é um abraço de reconhecimento artístico e acolhimento. ‘Minha Raiz’ é herança do Movimento Roraimeira, pois foram eles que nos fizeram amar cantar sobre nós”, disse Ana Lu (confira entrevista logo abaixo).

Além da faixa em áudio, “Minha Raiz” veio também em forma de clipe. Além de Eliakin, a obra audiovisual também conta com participação da artista e ativista Bruna Macuxi e da Associação Indígena Kapoi, em uma homenagem ao artista e jovem liderança Dam Kuy A'ki (Daniel Pereira) que se encantou e cumpriu sua missão na terra. As locações incluem Praia do Curupira, Praia da Ponte dos Macuxis e Horto Municipal de Boa Vista.

Clipe também contou com participação da Associação Indígena Kapoi  |FOTO: Franiel Javier




Natural de Boa Vista (RR), Ana Lu tem estilo único que mistura reggae, pop, reggaeton, hip hop e pop/rock, com letras autorais, voz e presença marcante. Ela iniciou sua carreira como cantora na Banda Paricarana (UFRR) e passou uma temporada em Porto Velho (RO) e Manaus (AM). No início de 2020, retornou a Boa Vista, buscando se reconectar com suas raízes macuxis e engrossar o caldo da cena local.

Conta em sua discografia com um álbum, dois EP’s, 12 singles e quatro projetos aprovados na primeira edição de editais da Lei Aldir Blanc, sendo um documentário autobiográfico em formato webserie e um pocketshow acústico. O trabalho mais recente é o single “FYAH!”, uma envolvente faixa de dancehall que une beat dançante, mensagem consciente e influências do Norte do Brasil.

Confira o bate-papo que tivemos com a artista:


Portal Boa Vista: Qual foram os elementos que lhe serviram de inspiração para compor “Minha Raíz”?

Ana Lu: A maior inspiração foi a nossa própria Natureza, que é rica, cheia de elementos que fazem parte do nosso dia a dia; os rios, igarapés, serras, matas, um céu lindo, o calor, além do nosso povo, que é alegre e acolhedor, e nossa ancestralidade dos povos indígenas, que são tão presentes, seja geograficamente, seja na cultura.



PBV: De que forma essa conexão com o Norte e a natureza influencia sua arte e sua mensagem musical?

Ana Lu: Influencia muito. Eu gosto de levar boas mensagens e provocar reflexões e bons sentimentos através da minha música e essa conexão tem tudo a ver. Tenho orgulho de ser do Norte e do que é nosso.


PBV: Como foi o processo de colaboração com Eliakin Rufino e o que essa parceria representa para você? Há outras ideias de 'feat.' em mente para próximos trabalhos?

Ana Lu: Essa parceria com Eliakin é muito simbólica e especial para mim. É a primeira música regionalista que lanço e a presença dele é um abraço de reconhecimento artístico e acolhimento. “Minha Raiz” é herança do Movimento Roraimeira, pois foram eles que nos fizeram amar cantar sobre nós. Essa colaboração é nossa segunda, pois temos a “Reggae, Água, Comida” que é anterior a essa e ainda não foi gravada. Mas Eliakin tem muito mais importância em minha carreira do que ele imagina. Enquanto diretor de cultura da UFRR, ele criou a Banda Paricarana, projeto de incentivo a permanência e cultura dentre os acadêmicos, no qual comecei minha carreira artística em 2012, fazendo parte também das formações de 2013 e 2014. Então, esse feat já estava preparado pela vida (risos). Tenho muita gratidão por nosso Grande Poeta pela amizade, pelas trocas valiosas, pela receptividade. Acho de muita humildade o tratamento do Eliakin comigo e vejo isso como parte do movimento Roraimeira, apoiar os artistas que defendem seu autoral e se orgulham das suas raízes.

Ana Lu e Eliakin Rufin: "Tenho muita gratidão por nosso Grande Poeta pela amizade, pelas trocas valiosas, pela receptividade"





PBV: Como você avalia o trabalho do Hyago Moura, sobretudo quanto ao resultado primoroso no single “Minha Raiz”?

Ana Lu: Hyago é um músico talentosíssimo, um amigo que a música me deu e que tenho orgulho de acompanhar a caminhada e o crescimento profissional como produtor musical. E esse trabalho primoroso dele também é simbólico. Sou fã dele desde os tempos da banda Jamrock. Já tocamos juntos no formato duo por uma temporada e trabalhamos juntos no meu Acústico Beira-Rio, quando ele estava no Estúdio Parixara do nosso querido Bebeco Pujucan. Quando quis produzir essa música para inscrever no Festival Canto Forte, pensei logo nele, que com toda sua sensibilidade musical captou minhas referências e construiu esse som que emociona. Me orgulho de dividirmos esse trabalho tão lindo.



PBV: Além disso, o que pode ser dito sobre mais uma parceria com Fabinho Chapa?

Ana Lu: Fabinho é um profissional incrível, que foi presente das produções com Bruno Dupre em “Um Dia Lindo” e “FYAH!”. Com sua estética e identidade de mix e master, acredito que ele consegue finalizar as músicas com respeito ao proposto e elevar ao nível do mercado mainstream. Com certeza trabalhemos em mais produções.



PBV: Você tem planos para novos projetos ou lançamentos que continuem explorando suas raízes amazônicas e sua identidade musical?

Ana Lu: Sim, tenho um projeto que envolve releituras de músicas de artistas roraimenses que ainda não tem data de lançamento, mas segue em desenvolvimento, como outros projetos audiovisuais que estão a espera do momento certo de serem realizados.



PBV: “Minha Raíz” foi uma das classificadas no Festival Canto Forte 2025. Como foi a experiência de participar desse festival e qual o impacto que esse evento cultural tão importante em nosso estado teve em sua carreira?

Ana Lu: Foi uma experiência incrível! Estar ao lado de tantos compositores talentosos, alguns jovens e outros que já têm longa experiência em competições, foi uma forma de reconhecimento profissional e também me fortalece e incentiva como compositora. Foi a segunda vez que me inscrevi. Na primeira vez, era muito nova, em termos de maturidade musical. Ver a produção de um festival tão grande como esse e fazer parte do retorno deles após alguns anos sem acontecer, também foi gratificante.

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