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| O curta-metragem “Vitrine” é a única produção do estado selecionada entre 69 obras do evento, marcado para ocorrer entre os dias 23 e 26, no Rio de Janeiro |
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O jovem cineasta Márcio Leal, de Boa Vista (RR), teve o curta-metragem “Vitrine” selecionado para o 19º Festival Visões Periféricas, que ocorre de 23 a 26 de julho no Rio de Janeiro. A videopoesia experimental de quatro minutos é a única obra de Roraima entre as 69 produções exibidas no evento, que apresenta filmes de todos os estados brasileiros e das cinco regiões do país.
Márcio Leal, morador do bairro Nova Cidade, na zona Oeste de Boa Vista, descreve o filme como uma videopoesia marginal. “Eu o desenvolvi há algum tempo, que fala um pouco sobre consumismo, sobre preconceito, como se existisse uma vitrine, um vidro invisível que separa cultura, costumes, preconceitos da periferia e do resto”, afirmou o cineasta.
“Vitrine” foi o primeiro produto audiovisual de Leal. Ele dirigiu, atuou, comandou a equipe, fez a direção de câmera, a edição e a trilha sonora. O curta surgiu como protótipo durante curso de audiovisual no Sesc e a partir do roteiro “Rua das Ilusões”, selecionado na Lei Aldir Blanc. Uma amiga, Karen Cristina, colaborou com imagens de apoio.
“Quando soube que fui selecionado, foi surreal para mim. Porque ‘Vitrine’, como eu disse, foi meu primeiro produto. E ter esse nível de reconhecimento eu achei muito, muito legal”, disse Leal ao receber a notícia por e-mail. “Representar Roraima nesse festival é um sonho. A gente não vê muitos representantes de Roraima em outros festivais de audiovisual".
Além de “Vitrine”, Leal desenvolveu outros trabalhos no laboratório audiovisual do Sesc, como o curta “Rua das Ilusões” e a exposição fotográfica “Nova Cidade, Meu CEP e Meu País”, que retorna em novembro. Ele também participou da Mostra Fotográfica 9 de Julho. Atualmente, trabalha no argumento do roteiro “Corre, Caju”, sobre um jovem roraimense que busca sobreviver com bicos enquanto sonha em viver de arte.
Leal cita como inspirações sua vivência no Nova Cidade, videoclipes e filmes como “Cidade de Deus” e “Cidade dos Homens”. “Desde criança eu sempre tive uma inclinação muito forte à arte”, conta (confira a entrevista completa logo mais abaixo).
- Mais informações sobre o festival e os trabalhos de Márcio Leal podem ser obtidas no perfil do Instagram @leal_hk.
Sobre o Festival - Pioneiro na difusão do cinema nacional produzido fora dos grandes centros, o festival recebeu 856 inscrições — um aumento de 70% em relação a 2025. A noite de estreia, dia 23, homenageia o projeto Vídeo nas Aldeias com a exibição do longa Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho. A programação reúne filmes de 18 estados e das cinco regiões do Brasil até o dia 26 de julho.
Os filmes foram divididos em sete mostras:
- Competitivas: Fronteiras Imaginárias, Cinema da Gema, Panorâmica e Visorama.
- Não competitivas: ICPLAY, Informativa e Visões do Amanhã (voltada ao público infanto-juvenil).
Um júri especializado escolherá os vencedores de cada mostra competitiva, além do Prêmio do Júri Popular. Parte da programação também estará disponível por streaming: uma seleção especial ficará na plataforma Itaú Cultural Play de 23 de julho a 6 de agosto, com a mostra Visorama também acessível online.
Confira a programação completa: https://www.visoesperifericas.com.br/home.
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Confira a entrevista completa com Márcio Leal:
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| Márcio: "Feliz por levar minha arte a outros lugares do Brasil" |
PORTAL BOA VISTA - Como foi seu início e quais foram suas inspirações dentro cinema?
Márcio Leal - Desde criança eu sempre tive uma inclinação muito forte à arte. Eu sempre fui muito criativo e sempre nunca deixei de exercitar isso. Então, sempre desenhei, escrevi, tentava cantar. As minhas maiores inspirações é minha vivência crescendo nas ruas do Nova Cidade e videoclipes e filmes que são baseado também nessas áreas de periferia, de favela, como “Cidade de Deus” e “Cidade dos Homens”.
PBV - Como surgiu a ideia do curta-metragem “Vitrine”?
M.L - “Vitrine" é uma vídeo-poesia marginal que eu desenvolvi há algum tempo, que fala um pouco sobre consumismo, sobre preconceito, como se existisse uma vitrine, um vidro invisível que separa cultura, costumes, preconceitos da periferia e do resto”. O filme é um protótipo do primeiro roteiro que eu escrevi, chamado "Rua das Ilusões". Só que esse roteiro eu decidi submeter na Lei Aldir Blanc e dentro do curso de audiovisual que eu estava fazendo dentro do Sesc. Como eu queria lançar algum produto e precisava de algo que fosse mais simples, decidi fazer "Vitrine", que é uma videopoesia. Na minha cabeça seria mais fácil porque eu não necessariamente precisaria atuar. Apenas usaria voice-off e trabalharia mais com imagens de apoio, coisas que conversassem com o que eu queria passar, com as críticas que eu queria passar dentro da poesia.
PBV - Quais foram os desafios na produção de "Vitrine"? Como foi o processo de captação, edição e construção dessa narrativa poética?
M.L - “Vitrine" foi o meu primeiro produto audiovisual. Então, foi tudo novo para mim, dirigir, atuar, comandar uma equipe, ficar na frente, ficar atrás de uma câmera. Foi um produto que eu dirigi, que eu atuei, que eu fiz a direção de câmera, que eu editei, que eu fiz a trilha sonora. A parte de aprender a fazer uma trilha sonora foi bem difícil. Editar também. Usei um notebook que não tem um processador tão bom. Foi o que fez quase eu desistir, mas ainda bem que deu tudo certo. E teve uma amiga que me ajudou bastante, chamada Karen Cristina. Ela fez as imagens de apoio pra mim, a maioria delas e também me ajudou muito no apoio.
PBV - E como você recebeu a notícia de que “Vitrine” foi selecionado entre as 69 obras do Festival?
M.L - Quando soube que fui selecionado, foi surreal para mim. Porque ‘Vitrine’, como eu disse, foi meu primeiro produto. E ter esse nível de reconhecimento eu achei muito, muito legal. Eu recebi a notícia por e-mail. Quando eu li, faltei pular da cadeira. E eu estava em aula, em um curso. Fiquei muito feliz. Ainda mais para um festival grande no Rio de Janeiro, que era um lugar onde eu tenho um sonho de ir.
PBV - O que esse reconhecimento representa para você e para o audiovisual do estado?
M.L - Para mim, representar Roraima nesse festival é um sonho. A gente não vê muitos representantes de Roraima em outros festivais de audiovisual. E pra mim, ir ao Rio de Janeiro, um local onde eu tenho o sonho de ir, tipo, a minha arte está chegando aos locais. Primeiro que eu acho isso muito legal. Estou sendo reconhecido e eu sei que no próximo festival eu posso estar lá pessoalmente.
PBV - Além de “Vitrine”, quais outros projetos audiovisuais você tem em desenvolvimento no momento? Pode nos adiantar um pouco sobre roteiros, novos curtas ou ideias maiores que estejam na mesa?
M.L - Dentro desse mesmo laboratório de pesquisa e audiovisual do SESC, eu fiz uma história de como se fosse uma lembrança de um rapaz fazendo uma pipa enquanto ele tem devaneios de memórias, em um minuto. Eu fiz o meu último produto, meu último curta-metragem, o "Rua das ilusões", que eu consegui passar na Aldir Blanc. E eu também recentemente fiz uma exposição de fotografia na galeria do SESC, chamada "Nova Cidade, Meu CEP e Meu País". Em novembro ela vai estar de volta. Eu também participei da Mostra Fotográfica 9 de julho. Eu não fui um dos vencedores, mas a minha fotografia está lá na exposição. E de roteiro eu tenho vários. Eu tenho um quadro no meu quarto cheio de sinopsis para eu desenvolver. O que eu estou querendo desenvolver agora é um roteiro chamado "Corre, Caju", sobre um jovem roraimense que é demitido e tem que fazer uns bicos para conseguir dinheiro para levar para casa. E dentro disso ele tem o sonho de viver de arte. A gente vai desenvolvendo a história. Vou trazer muito a questão regional daqui, pontos turísticos, como é que é a vivência de um jovem da periferia em Roraima, tentando sobreviver. Ele vai ser um pouco de aventura jovem, também traz um pouco de drama também e um pouco de romance. Acredito que vai ser um roteiro bem legal. Ainda estou no argumento, mas logo vou finalizar e, provavelmente, vou estar tentando captar recurso para desenvolver ele. Não sei se esse ano, mas para ano que vem com certeza eu vou estar lançando esse produto”.
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