SANTIAGO PEMÓN| Artista indígena da Venezuela lança EP que une tradição Pemón e música contemporânea

Produzido com incentivo do Sesc Roraima, trabalho reúne releituras de músicas ancestrais do povo Pemón-Taurepang e já está disponível nas plataformas digitais



A música ancestral do povo Pemón-Taurepang ganha um novo registro para alcançar públicos de diferentes lugares do Brasil e do Mundo. O músico indígena venezuelano Santiago Pemón lançou, nesta terça-feira (7), seu primeiro EP, produzido com apoio do Sesc Roraima. O trabalho reúne três faixas inspiradas em cantos tradicionais, interpretadas na língua materna e acompanhadas por instrumentos como violoncelo e percussão.

Natural de Santa Elena de Uairén, na Venezuela, e criado na comunidade indígena Manak-Krü, Santiago encontrou na música uma forma de preservar e compartilhar a cultura do povo Pemón. Hoje, orientador musical do Sesc Roraima, ele desenvolve um trabalho que une a tradição oral indígena a elementos da música contemporânea.

Segundo o artista, o EP representa um passo importante em sua trajetória.

"Chega um momento em que o artista encontra o seu próprio caminho, o seu estilo. Depois disso, o próximo passo é gravar. Foi possível fazer esse trabalho graças ao apoio do Sesc. Esse incentivo foi como um empurrão para realizar algo que eu já precisava ter feito. Depois da primeira gravação, muitas outras possibilidades se abrem”.

O repertório apresenta releituras de cantos tradicionais do povo Pemón. As duas primeiras faixas são inspiradas em ritmos ancestrais ligados aos rituais e celebrações da comunidade. A terceira composição é autoral e traz uma abordagem mais contemporânea, utilizando apenas voz, violoncelo e percussão.


Faixa a faixa

Na primeira música, Santiago interpreta um Parixara, dança tradicional associada aos rituais que celebravam a abundância da caça. A canção recebe uma nova leitura com o violoncelo, instrumento inexistente na versão original, mas incorporado de forma respeitosa à estrutura da obra.

A segunda faixa revisita o ritmo Tükui, tradicionalmente relacionado aos rituais de fartura dos peixes. Já a terceira composição é uma criação pessoal, sem letra, em que a voz é utilizada como um instrumento. A obra faz um percurso entre momentos de reflexão e esperança, simbolizando a passagem da noite para o amanhecer.

Para Santiago, reinterpretar essas músicas é uma maneira de manter viva a identidade de seu povo.

Com informações de Sesc Roraima

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