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| Cerimônia ocorre nesta quarta-feira (26), no Teatro Amazonas, em Manaus, e reconhece atuação de Lilyane Lopes na ópera e na música na Amazônia |
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| A carreira de Lilyane inclui a regência de diversos outros espetáculos temáticos, concertos sinfônicos e montagens de grande porte na região Amazônica |
Companhia estabelece marcos em Roraima
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Confira a entrevista que fizemos com a maestrina Lilyane Lopes sobre sua trajetória artística e as perspectivas da Companhia de Ópera de Roraima para a cultura do Estado:
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| Lilyane Lopes: uma trajetória inteira dedicada à arte na Amazônia |
PORTAL BOA VISTA - Como a senhora avalia a importância de ser empossada Membro Honorária da Academia Amazonense de Música no Teatro Amazonas, e o que esse reconhecimento representa para a sua trajetória artística e para a música produzida no Norte do Brasil?
Lilyane Lopes - Estar no palco do Teatro Amazonas para essa posse é o reconhecimento de que o trabalho que realizamos na Região Norte alcançou o mais alto nível de excelência artística. O Teatro Amazonas é o coração da ópera na nossa floresta, e receber este título aqui chancela a nossa missão como realizadores.Para a minha trajetória como instrumentista, compositora e Diretora Musical da Companhia de Ópera de Roraima, representa a consolidação de marcos históricos, como as primeiras óperas e balés com orquestra ao vivo e primeira ópera composta em Roraima que erguemos no nosso estado. Para a música do Norte, esse momento é um manifesto de que somos capazes de criar, compor, produzir e exportar arte clássica da melhor qualidade, unindo Roraima e Amazonas na vanguarda da cultura nacional.
PBV - Quais foram os momentos decisivos em sua trajetória que acredita que a levaram a se dedicar à ópera e à regência na Amazônia?
L.L. - Houve três momentos cruciais. O primeiro foi na infância, aos 7 anos, quando subi as escadas de uma sala em Manaus e ouvi a Jerusa Mustafa ao piano; deitar a cabeça no colo dela e ver aquelas mãos se moverem decidiu o meu destino na música.O segundo momento veio com a maturidade, ao beber da fonte de mentores extraordinários. A começar pela minha querida professora de piano, Dorly da Silva Guerra, que com paciência e sabedoria lapidou o meu talento; passando pelo rigor técnico e sensibilidade da violinista Margarita Chereva; até o imensurável Maestro José Antônio Abreu, que me ensinou que a regência é, acima de tudo, uma missão de transformação social através da arte.E o terceiro momento foi o chamado da própria Amazônia. Perceber que o nosso povo tinha sede de alta cultura me moveu a fundar, ao lado do meu esposo Juan, a Companhia de Ópera de Roraima. Ver o público nos receber de braços abertos na floresta foi o clique decisivo para eu entender que a minha missão de vida era fincar a bandeira da ópera e da regência na nossa região.
PBV - À frente da Companhia de Ópera de Roraima, a senhora ajudou a consolidar a cena operística no estado. Qual é o papel da companhia na construção dessa identidade operística roraimense que já tem apresentado bons resultados?
L.L. - O papel da Companhia tem sido o de quebrar barreiras e mostrar que a alta cultura pertence a Roraima. Nós não estamos apenas encenando espetáculos; estamos construindo uma identidade operística roraimense a partir de três pilares: o pioneirismo, a formação de novos talentos e a nossa própria voz.Quando realizamos a primeira ópera do estado em 2019, o primeiro balé com orquestra ao vivo em 2024, e agora, em 2026, com a ópera "A Caipora", provamos que a Amazônia pode e deve produzir suas próprias obras clássicas. A Companhia funciona como uma escola viva: preparamos músicos, cantores e técnicos locais em cada projeto, vendo o futuro da nossa arte florescer na prática. O resultado desse trabalho é ver o público de Roraima lotar os teatros, orgulhoso de ver a sua identidade, suas lendas e seus artistas brilhando no palco.
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| Lilyane e Juan Alexis: "Perceber que o nosso povo tinha sede de alta cultura me moveu a fundar, ao lado do meu esposo, a Companhia de Ópera de Roraima" |
PBV - Quais têm sido os maiores desafios de produzir ópera e concertos de alto nível em Roraima, e como a Companhia de Ópera tem superado as limitações estruturais e logísticas típicas da região Norte?
L.L. - Os nossos maiores desafios em Roraima sempre foram a distância geográfica e a escassez de recursos específicos para o mercado da ópera e da música clássica. Trazer grandes cenários, figurinos ou solistas de fora do eixo tradicional custa caro e a logística na Amazônia é complexa.Mas a Companhia de Ópera de Roraima supera isso de uma forma linda: nós criamos a nossa própria estrutura na sede da nossa Companhia. É lá, no nosso espaço, que transformamos cada projeto em uma escola viva. Nós formamos os nossos próprios músicos, preparamos os nossos cantores líricos e qualificamos técnicos locais. E para garantir o mais alto nível artístico, nós também trazemos músicos solistas de fora para enriquecer nossos espetáculos. Quando faltam recursos materiais, nós transbordamos criatividade, como fizemos ao compor a ópera A Caipora, unindo as nossas lendas nativas à técnica clássica.Nós superamos a logística unindo propósitos: a dedicação da minha família, o apoio incondicional do público de Roraima e as parcerias fantásticas, como esta com a Academia Amazonense de Música e o apoio fundamental de instituições como a Companhia de Ópera de São Paulo, que mostra que o Norte se apoia, se conecta com o Brasil e cria sua própria grandeza. Além disso, vale destacar também o apoio do Teatro Municipal de Boa Vista, Fetec, EntreÓpera, o Curso de Música da UFRR e a Secult, que foram fundamentais para o nosso trabalho.
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| "Com a chancela da Academia Amazonense de Música e o apoio dos nossos parceiros, vamos continuar descentralizando a ópera no Brasil" |
PBV - Com seu ingresso na Academia Amazonense de Música, que novos horizontes a senhora enxerga para a Companhia de Ópera de Roraima e para a continuidade de sua contribuição à música e à ópera na Amazônia?
L.L. - O meu ingresso na Academia Amazonense de Música abre horizontes extraordinários de integração e expansão. Vejo este momento não apenas como uma honraria pessoal, mas como o fortalecimento de uma ponte cultural definitiva entre o Amazonas e Roraima.Para a Companhia de Ópera de Roraima, esse laço institucional vai intensificar o intercâmbio de músicos, cantores e técnicos, permitindo a circulação dos nossos espetáculos e criando um corredor lírico na nossa região. Olhando para o futuro, o horizonte que enxergo é o da consolidação: avançamos entusiasmados rumo ao nosso Segundo Festival de Ópera e à criação de novas produções que ecoem a nossa rica identidade cultural.Minha contribuição à música na Amazônia ganha agora uma nova força e uma responsabilidade ainda maior. Juntos, com a chancela desta Academia e o apoio dos nossos parceiros, vamos continuar descentralizando a ópera no Brasil, provando que a floresta é, e continuará sendo, um solo fértil de alta cultura, inovação e excelência artística.









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